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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TATEANDO NO ESCURO SOB AS LUZES DA ETERNIDADE

PALESTRAS NO CAP


Na quinta-feira (14/08), o Prof. Jaya esteve no CAP – Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual do Maranhão “Anna Maria Patello Saldanha”, para ministrar palestras, pela manha e à tarde. O título escolhido, bem a propósito, foi “Tateando no Escuro sob as Luzes da Eternidade”. O tema principal, que perpassou toda a palestra foi “identidade e identificação”. Nosso diretor/fundador conduziu a temática de forma a apresentar o ponto de vista da T.H. e como o MOFICUSHINTH, através de seus cursos, artigos e palestras, trabalha por uma filosofia prática.


Logo de início, em sua Preleção, ele disse: “A experiência histórica nos faculta dizer que os eventos próximos podem até ser tratados à exaustão, porém, só são compreendidos devidamente quando analisados a certa distância. Por isso mesmo, penso que a temático que trataremos aqui hoje pode ser analisada de maneira bastante satisfatória, uma vez que carrega consigo questões que desde longo tempo preocupou a humanidade, como um todo.”



Depois, ele expôs num slide os conceitos de “identidade” e “identificação”, para em seguida complementar: “Embora o dicionário nos diga isso, creio que devemos fazer uma investigação um pouco mais profunda sobre esses dois termos, fora do contexto meramente semântico ou vocabular. Precisamos entender como entendemos “identidade e identificação” nos planos real, existencial e sensorial”, e discorreu sobre os três planos. Então, acrescentou: “cada um de nós tem um corpo, existe enquanto corpo, sente a Existência graças a esse corpo. Nós desfrutamos do prazer ou sofremos as dores nele e através dele, – nas dimensões corpórea, espiritual e mental. Porém, curiosamente, dá-se, ao longo da Existência, um fenômeno peculiar, porém estranho: esse corpo “muda” sua forma, seu aspecto, etc (na dimensão corpórea); muda seu estilo de vida, seus gostos, etc (na dimensão espiritual); muda seus pensamentos, suas idéias, seus ideais, etc (na dimensão mental). Então, o que sobra do “antigo eu”, da antiga identidade, se ela segue em constante mutação? Ainda mais curiosamente, com o advento da morte, aquele corpo está ali, praticamente como sempre foi, porém percebe-se que ele “já não é”. O que aconteceu? Qual a razão para que ele, embora ainda sendo ele, não seja mais?”.


O Prof. Jaya questionou não só o corpo como “identidade”, mas também o gênero, a idade e o nome. Ele perguntou à plateia: “Se o gênero e a idade também fazem parte da identidade de uma pessoa, por que alguém que nasceu no gênero masculino se sente do gênero feminino, ou alguém com 60 anos ou mais diz se sentir como se tivesse ainda vinte ou trinta e poucos anos?”, e, prosseguindo, disse: “Ao nascermos, recebemos um nome com o qual seremos identificados e pelo qual seremos chamados, primeiramente pelos familiares, depois por amigos, colegas de escola, colegas de trabalho, etc. Muitos de nós recebem também um apelido, o qual passa a se agregar à nossa personalidade: Carlos/Carlinhos; Eduardo/Edu; Jorge/Juca, etc. Artistas, celebridades, religiosos, políticos, escritores, etc  trocam de nome ou adotam pseudônimos que passam a ser mais fortes do que os próprios nomes de batismo. Até que ponto, então, o nome que recebemos ao nascer pode ser a nossa “identidade”?”.


Houve momento na palestra para se falar também sobre o que é o sucesso e a realização. A pergunta que o prof. Jaya lançou a todos foi: “Se sucesso e realização se traduzem na Existência basicamente em fama, dinheiro e poder, concluindo-se assim que quem obteve tudo isso vive ou viveu feliz, podemos dizer que Jesus Cristo teve sucesso ou se realizou em sua vida?”.

Perguntas como essa, que tratam do cerne de certas religiões, causa desconforto e polêmica entre a plateia e foi isso mesmo que se viu por lá. Os mais religiosos apressam-se em responder que “sim”, pois aquela era a sua missão – morrer pelos homens. No que o professor aproveitou para perguntar: “E nós? Nós temos alguma missão a cumprir no mundo?”. Algumas pessoas responderam que “sim” e cada uma tentou dizer qual seria a sua. Ao que o professor viu ali o apoio necessário ao que ele realmente queria perguntar: “Se recebemos uma missão ainda antes de nascermos, então isso não significaria que existíamos antes de nascer? E, portanto, nossa identidade original não se encontra exatamente no mundo, mas antes dele!”. Todos ficaram sem respostas, mas alguém resolveu devolver a pergunta ao nosso diretor, dizendo: “E para o senhor, qual é então a nossa identidade original?”. O prof. Jaya explicou que ele bem poderia acabar com a questão ali mesmo, dizendo que nossa identidade original é “Atman” (Alma Original), mas preferiu se fazer de “Sócrates”, e respondeu: “Não sei! Por favor, não faça perguntas a um filósofo – um filósofo é a pior pessoa a quem se pode perguntar alguma coisa. Ele é aquele que traz as problemáticas, os questionamentos; nunca, as respostas!”.


Mas no tópico seguinte, “Posição Original e Condição Existencial”, o prof. Jaya começou a delinear seu pensamento sobre nossa verdadeira identidade antes e depois da passagem por esta existência. Ele chegou a dizer: “se a religião pode nos apresentar a possibilidade de uma “existência post-mortem”, qual seria a nossa dificuldade em também considerar uma “vida antes da existência”? Essa vida anterior à existência poderia então ser a nossa “posição original”. E, sujeitados aos prazeres e mazelas da Existência, é que estaríamos experienciando a nossa “condição existencial”. Ou seja, esse “condicionamento” se efetiva enquanto estamos dentro do veículo chamado “corpo” – enquanto “condicionado”, corporificado”; e no tópico “Quem somos nós?”, o professor pergunta: “O que é o ser humano? Seria ele apenas o animal mais complexo, mais completo, mais inteligente, mais perfeito da Natureza? Seria ele, como propõe a Bíblia, a imagem e semelhança de Deus? Qual a nossa importância na trama universal?”.

No tópico “Eternidade X Imortalidade”, nosso fundador expôs seu pensamento sobre a reencarnação e explicou que o fato de sermos mortais não invalida a possibilidade de sermos eternos. Pois o que morre, diz ele, é aquilo com o que nos identificamos no mundo, enquanto o ser que somos na verdade segue de existência em existência.


Em outros tópicos, como “Livre Arbítrio X Determinismo”, “O que é a vida?”, “O que significaria morrer?”, o prof. Jaya vai encaminhando a audiência para os ensinamentos contidos na T.H., aí então ele chega ao tópico “Filosofia Teórica e Filosofia Prática”, mostrando que os primeiros filósofos (ou pensadores) vivenciavam sua filosofia, mas, ao longo do tempo, a Filosofia se tornou algo teórico, acadêmico. Então ele desenvolve o tópico “Qual o papel da Filosofia na vida?”, para só então, nos tópicos “O que é a Terapia Hari?” e “Por que Terapia e não Filosofia?”, ele realmente aportar no verdadeiro motivo de todas as suas palestras e artigos: a apresentação da Terapia Hari para um público já tocado pelos temas relevantes da vida, de tal forma que ela possa ser entendida e, por fim, aceita.


Bem, esta palestra pode ser levada a qualquer instituição, escola, faculdade, empresa, ou simplesmente apresentada para pessoas que realmente estejam dispostas a perscrutar as coisas valiosas e duradouras. Esperamos que muitos se interessem por ela e convidem o nosso diretor para levar para muito mais pessoas sua T.H. e este Movimento.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MALES DA ALMA


OS ENGANOS DA PSICOLOGIA E DA RELIGIÃO

Desde a figura mitológica de Psyché, aquela bela jovem por quem se enamorou Eros, até a criação da Psicologia, da Psicanálise e outras psicoterapias, muito tempo se passou. O que nunca passou mesmo, apesar de tantos anos e tantos estudos despendidos, foi a falta de compreensão dessas ciências e terapias, que insistem em “rebaixar” a alma ao condicionamento existencial, sujeitando-a a todo tipo de mazela, sofrimento, dor e vicissitude que o mundo material pode oferecer.

Não é de hoje que a Psicologia chama a angústia, a depressão e o tédio, entre outras enfermidades psíquicas, de “males da alma”. E, nesse viés, profissionais de diferentes áreas da Medicina, sobretudo da área clínica, insistem em propalar essa “ignorância” em seus tratados, discursos, palestras e artigos.

Talvez a culpa não seja totalmente deles nem da própria Psicologia. A Religião, mormente a cristã, dominadora da cultura e das linhas de conhecimento do Ocidente, que deveria saber alguma coisa sobre a alma, insiste em tratá-la, também, como um joguete do mundo e de Deus.

A intenção dessa série de artigos que escreverei aqui não é fazer frente à Psicologia ou ao Cristianismo, como um todo, mas resgatar a concepção original e verdadeira da alma e, consequentemente, retirá-la da condição vilipendiosa, falsa, imprópria, impossível e vulgar em que foi atirada. Essa tarefa não será fácil e, por isso, sei que apenas poucos leitores compreenderão o que direi. Destarte, tratarei dessa “defesa” em capítulos, tentando apresentar bem meus argumentos e esclarecer essa questão, sem deixar dúvidas, não sobre a alma (que é um tema muito complexo), mas sobre o ponto de vista da minha Terapia.

Para tanto, levantarei pontos pertinentes à questão de cunho psicológico, religioso e filosófico, declarações de profissionais dessas áreas, recorrendo, ainda, a textos que tratam da alma tal como ela é e ao próprio sentido primitivo, que, ao que parece, há muito foi esquecido. Claro que eu poderia também iniciar esta série de artigos, dizendo simplesmente: “Tudo bem! Podem continuar a usar o termo “alma” para essa coisa miserável, mesquinha, pequena, frágil, mortal e incurável que vocês tratam aí. Eu, em nome da Terapia Hari e de todo o conhecimento adquirido no arcabouço das várias culturas e civilizações, já me utilizo mesmo do termo “atman”, que nada tem a ver com “essa coisa” de vocês”. Mas não se trata de uma abordagem técnica, explicativa ou pedagógica desse termo, no âmbito restrito da Psicologia, da Filosofia ou da Religião. Trata-se do resgate da verdadeira concepção de alma, para que as pessoas, em qualquer desses âmbitos, tenham o entendimento claro do que cada um deles realmente está falando e não sejam ludibriadas com retóricas acadêmicas, filosóficas ou religiosas.

A psicóloga, Drª. Lílian Graziano, em seu artigo “Psicologia Positiva: A psicologia da felicidade”¹, nos diz: “Para esses autores [os fundadores da Psicologia Positiva, entre os quais, Martin Seligman], a Psicologia nasceu pautada no modelo de doença, e, como tal, desenvolveu seu olhar exclusivamente em direção ao caráter disfuncional do ser humano”. E diz mais: “Isso significa, que na prática, a ciência psicológica raramente consegue ir tão além quanto suas discussões filosóficas poderiam sugerir, quando o assunto é a compreensão da totalidade humana, uma vez que todos os seus esforços têm sido direcionados a apenas um dos lados da moeda”. E, para concluir suas observações, diz ela: “Preocupada apenas em curar doenças, a Psicologia deixou sem respostas aqueles que questionavam sobre ter uma vida feliz, abrindo espaço para que as forças e as virtudes humanas fossem discutidas sem base científica e, por vezes, de maneira hipersimplificada”.

Evidentemente, as palavras da drª. Graziano não pretendem detratar a Psicologia, e muito menos respaldar minha defesa na temática deste artigo, e, sim, valorizar o trabalho da Psicologia Positiva, da qual é membro, como um avanço da ciência psicológica. No entanto, seu discurso serve como aviso às limitações da Psicologia tradicional e seus possíveis enganos e falhas. Um desses, sem dúvida alguma, se dá quando essa ciência impinge à alma os males que são de natureza psicofísicas, ou seja, males existenciais (esfera a que a alma jamais pertenceu, e jamais pertencerá).

Considerando que a Ciência e a Religião são dois baluartes da cultura ocidental e, se estou com a razão, ambas são incapazes de fornecer uma concepção verdadeira de “alma”, indo além, em seus respectivos enganos, ao deturpar o próprio conceito e definição de “alma”, vilipendiando-a com suas respectivas acusações a ela – no caso da Ciência, afirmando que a alma está sujeita a enfermidades; no caso da Religião, pregando que ela pode ser queimada e destruída; parece-me louvável exortar os meus leitores a seguirem o mesmo conselho que o filósofo Sêneca (    ) deu a seus contemporâneos: “Recusem-se a seguir a multidão!”, que neste caso seria: “Descreiam dessas afirmações da Psicologia e do Cristianismo sobre a alma!”, e me ouçam.

A Ciência e a Religião se apropriaram do termo “alma” e, de certa forma, manipularam sua definição ao bel prazer, em favor, evidentemente, dos seus interesses próprios. Para a Psicologia, por exemplo, era necessário trazer a alma para o âmbito físico, para que seus estudos pudessem ser aceitos como “científicos”, e ela se desvencilhasse da Filosofia, sem descambar para uma espécie de “psicometafísica”. Para o cristianismo, a alma não poderia manter sua condição de eterna, pois seria da mesma natureza de Deus, e não haveria como “assombrar” os cristãos com suas visões do Inferno (lugar destinado às almas dos pecadores, segundo a Igreja). A alma que é “alma” mesmo, no entanto, não é manipulável em seus verdadeiros atributos – ela não sofre as aflições físicas nem pode ser queimada no fogo, nem mesmo o do Inferno – nem mesmo pela “vontade de Deus”.

Em meu livro, “O Governante das Estrelas – Da Materialidade do Eterno” (ainda não publicado), explico que o Paramatman (a Alma Suprema) é constituída por partes e parcelas denominadas de “atmans”, as quais são indissociáveis dEle e possuem a mesma “essência” e “atributos”. Isso significa que, se os atmans estivessem sujeitos a mazelas, à ação do fogo e à morte, o Paramatman (Alma Suprema/Ser Supremo, ou “Deus”, se preferirem) também estaria, pois são todos da mesma “natureza”. Lá, também explico que até o Paramatman tem o seu duplo ou dublê. Este é denominado de Hari, o “Jiva Supremo” (Alma Suprema encarnada), cujo corpo é toda a extensão do Universo, constituído de duas Naturezas: a material e a espiritual. São essas “Naturezas” que criam e mantém todos os seres do Universo (isso quer dizer em todos os planetas de todas as galáxias e de todos os recantos imagináveis ou não). No planeta Terra, somente os humanos são “jivas” (alguns só entenderão se eu disser: “Somente os humanos têm alma”, pois muito bem, que seja). Os demais seres, plantas, animais e vegetais, recebem da “Natureza” apenas os veículos necessários à sua “expressão” no mundo/Existência, a saber: um corpo e um espírito. Isso significa que tais seres não possuem uma “essência” no mundo/Eternidade, pois eles “não são atmans”, como nós.

Para que minha exposição fique mais clara, é necessário informar ao meu leitor que, segundo a Terapia Hari, há duas instâncias a serem consideradas, quando tratamos conjuntamente de Alma, Deus e Seres Humanos, a saber: a Existência, que constitui tudo o que é físico, material, elementar, sutil, etéreo, mental, psíquico, fluido, atômico – numa palavra, objeto de estudo e perscrutação do intelecto; e a Eternidade, instância inacessível à perscrutação lógica, que é a totalidade de toda a Existência e ainda mais (sendo esse “mais” o imperscrutável, tal é a sua “essência”) e que é considerado, na T.H., como Paramatman (Alma Suprema), do qual fazem parte todos os atmans (almas individuais). Embora essas explicações ainda não se demonstrem totalmente compreensíveis, ajudarão na compreensão dos meus argumentos, em breve.

É preciso lembrar que muito antes do surgimento da ciência psicológica e ainda antes do próprio cristianismo, a alma já era “perscrutada” em suas possíveis características e atuações. Claro que nunca houve um consenso entre as variadas culturas e povos primitivos. No entanto, algo fundamental participava de todas as noções e conceitos sobre a alma, sempre considerando-a como tendo uma natureza sagrada, divina e transcendental. “Os caracteres fundamentais das religiões professadas pelos povos primitivos são: crença num poder supremo; crença em espíritos independentes; crença na alma humana, distinta do corpo e separando-se do mesmo com a morte”². Para nós da T.H*, a expressão “alma humana” não passa de um reforço de linguagem, pois toda alma só pode ser “humana” (até que tenhamos provas consistentes de vida igual ou superior à nossa, universo afora, que possa comportar também a ideia de existência, a partir desse “elemento vital”).

Para finalizar a primeira parte dessa série de artigos sobre a alma, deixarei esse trecho, encontrado no Bhagavad Gita, que diz: “A alma nunca pode ser cortada em pedaços por nenhuma arma, nem pode ser queimada pelo fogo, nem umedecida pela água, nem seca pelo vento. Esta alma individual é irrompível e insolúvel, e não pode nem ser queimada nem seca. É eterna, todo-penetrante, imutável, imóvel e eternamente a mesma.”

¹ Revista Ciência & Vida Psique, Ed. Especial, Ano III Nº8, Ed. Escala
² História da Educação Universal e Brasileira (Intermedial Editora), autor Nelson Valente