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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A TH E O NOVO PARADIGMA

EM BUSCA DE UM NOVO PARADIGMA



A moral e as religiões, que não passam de acordos e/ou tratados comportamentais e ritualísticos impostos a cada sociedade que os admite, são considerados até hoje como os fomentadores e mantenedores da civilidade entre os homens, mas não há como negar que ambas falharam em seu propósito, pois o que estamos assistindo até os dias de hoje é uma selvagem luta de homens contra homens, pelos motivos mais banais ou por questões ideológicas, econômicas, socioculturais e até religiosas. O mundo que temos de encarar todos os dias é um mundo perigoso e violento, repleto de rivalidades de toda espécie, do qual somos uma vítima em potencial, sejamos culpados ou inocentes.

Ao que parece, devemos lançar mão de uma nova proposta, um novo paradigma, que pode até lembrar os princípios morais e religiosos, mas que, na verdade, precisam ser fundamentados em novos valores e novas noções. De nada adiantará um esforço por qualquer mudança para melhor, se não nos livrarmos de certos valores e ideais que não valorizam o homem – só o escravizam mais. A moral que pretenda se impor como uma lei sobre o homem deve antes de tudo saber “o que é o homem”; deve promover a sua realização; deve primar por seus instintos nobres. Uma religião que pretenda indicar um caminho espiritual para o homem deve, sobretudo, conhecer a sua dimensão espiritual; jamais poderá impor a ele “leis divinas”, pois qualquer suposto “Deus” nunca poderá ser conhecido ou reconhecido de cima para baixo. Já não importa mais aquilo que impôs como tradição; já não importam as palavras encontradas na “letra morta” das Escrituras Sagradas; já não importa a autoridade do sacerdotes ou das Instituições Religiosas – tudo isso falhou, e tornou-se urgente uma mudança radical de nossa visão sobre tais coisas. Não sou eu quem diz “falhou”. Basta uma breve observação das coisas à nossa volta, no nosso dia-a-dia, nas nossas relações, na família, no trabalho etc. Tudo está em ruínas por toda parte, e nós não podemos apenas apontar os possíveis culpados (que certamente somos nós mesmos), temos que buscar um novo caminho, pois esse não nos levou a nada de positivo – ele está arrasando dia após dia com nossas vidas, nossas relações, nossa potência.

Estamos demasiadamente acostumados a este corpo que temos para renunciar um pouco a ele. Isso não significa “negligenciá-lo”! Precisamos relembrar que ele é apenas um veículo. Veículo de quem? Daquele que realmente somos, ora! E quem somos? Bem, essa descoberta não pode ser feita apenas verbalmente, apenas intelectualmente, apenas pelo peso de alguma autoridade, que nos dirá “nós somos isto ou aquilo”. Todos concordamos que há em nós uma busca pela felicidade, pela Verdade, pela auto-realização. Também devemos concordar que há no homem uma dimensão espiritual, ou seja, algo intrínseco que o impulsiona a reconhecer que há valores maiores do que todos os bens materiais que se possa conquistar, e que também lhe dá uma certeza ou, pelo menos, um forte impressão de que ele é algo mais sutil, porém, mais duradouro e maior do que o corpo.  Infelizmente, só percebemos isso, com maior freqüência, nas situações tristes ou adversas, como diante da morte de alguém que amamos. Sua ausência se faz uma presença. Quando é alguém que nos conferia proteção e afeto, como mãe ou pai, passamos o resto de nossas vidas com uma leve impressão de que ela ou ele nos “vigia” e “cuida” de algum lugar invisível. De onde nos vem tal impressão? Seria ela apenas um expressão do nosso medo, da nossa angústia, da nossa fragilidade, da nossa condição de mortais?

O que acontece ao homem, na morte, para que ele se torne apenas aquele corpo inerte, rijo, isento de qualquer sensação ou vontade? O que havia nele, enquanto vivo, que fazia circular o seu sangue, que mexia seus músculos, que o fazia pensar, falar e agir com decisão e vontade? Ora, deve haver algo que dá vigor ao corpo e o ponha em funcionamento mesmo ao dormir ou em estado de coma, e esse “algo”, ao se retirar dele, o deixa inerte e sem vigor. É esse elemento, essa entidade, essa força motriz que deve ser procurada. Talvez, alguns de vocês pensem: “Ora, mas isso já sabemos há muito tempo o que é – trata-se da nossa alma!”. Ao que eu perguntarei: “Mas quem descobriu isso? Fomos nós mesmos, ou foi outro alguém que nos levou a aceitar essa suposta descoberta dele? Fica claro agora que ninguém pode descobrir as coisas por nós – principalmente se essa “coisa” diz respeito a nós. Ninguém pode chegar em nossa casa e dizer: “Olha bem: isto é teu corpo e aquilo é tua alma!”. Seja lá quem for, essa pessoa não tem tal autoridade e sua proposição é no mínimo suspeita. Portanto, devemos abandonar todo o tipo de autoridade, seja moral ou religiosa, se somos sérios no toicante a fazer nossa própria descoberta e assim encontrar um novo paradigma para nossas vidas. Sim, porque, antes de fazer essa grande descoberta (quem somos nós), continuaremos uma multidão de selvagens supostamente civilizados, que se devoram mutuamente, dia após dia.

O mundo atual é um verdadeiro caos, um lamaçal de intrigas, de rivalidades, de competições insanas. A moral jamais poderá dar cabo disso e as religiões só têm colaborado com mais intolerância e conflito. Não saber quem somos redunda em não saber como lidar com essa nossa selvageria e assim, se não destruirmos em breve toda a humanidade, perpetuaremos nossa guerra desumana ad infinitum.

Neste ponto, alguns de vocês podem dizer: “Que tipo de proposta o senhor tem a nos oferecer? Pois, se já não podemos mais seguir desta maneira, precisamos de uma outra que a substitua!”. E eu direi: “Se eu der a vocês o novo paradigma, estaremos incorrendo no mesmo antigo erro!” Notem que foi assim que se estabeleceram a moral e a religião, e isso não queremos mais. Portanto, precisamos trilhar esse caminho, essa busca, juntos – sem que qualquer de nós se imponha como autoridade. É claro que podemos perceber algumas pistas que devem levar ao que procuramos, mas devemos seguir lado a lado. É fácil ir numa certa direção, com a sensação de segurança, quando há um guia, um líder; é fácil não ter a responsabilidade de se perder, de se desguiar; enfim, é fácil ser “rebanho”. Mas isso já foi feito – e não deu certo, nem jamais dará!

Talvez eu já tenha feito algumas descobertas interessantes, as quais me dão certa segurança no meu caminhar. Mas cada um deve estar disposto a fazer suas próprias descobertas, encontrar certas pistas que assegurem que está no caminho certo. A T.H. pode ser muito útil nessa busca. Pode ser útil para todos, porque foi útil para mim. Mas cada um já deve trazer consigo certas noções, que não podem ser aquelas caducas; certos valores, que não podem ser aqueles ultrapassados. Não chamaremos isso de certezas ou convicções – chamaremos de “pistas”. Como chegaremos a elas? Como eu disse lá no início desta dissertação, primeiramente devemos deixar um pouco de lado esse nosso “culto à matéria”, ao corpo, ao veículo das percepções existenciais. È preciso introspecção!

A Meditação T.H. não é muito diferente daquela já tão conhecida de todos que se interessam por assuntos espirituais, yoga e relaxamento. Mas ela tem, sim, sua diferença. Ela tem etapas e não se limita a alguns minutos por dia. Ela tem o seu momento de quietude e o seu momento de ação. Por isso é que a T.H. é uma prática holística para o cotidiano. Mais ou menos como ensinado nas escolas Zen, nossa meditação tem que imiscuir nos afazeres diários. No começo, haverá dificuldades, porém, em breve, será tão simples quanto é para um adolescente “estudar e ouvir música”. A prática trará facilidade; o domínio dela, a experiência.


Também como disse mais em cima, o novo paradigma não pode ser imposto cima para baixo – ele deve ser encontrado aqui, em nós, e jamais provir de uma autoridade externa, não importa qual seja ela. O novo paradigma é um desafio nosso e, quando encontrado, será uma conquista nossa. Ninguém mais nos dirá “somente de mim vem a salvação”; nenhum Avatar, nem o mais excelso deles. Primeiramente porque não estamos em busca de qualquer salvação (isso foi uma noção que nos foi imposta e um valor já ultrapassado); em segundo lugar, porque já sabemos que encontrar a Verdade é muito mais valoroso do que recebê-la das mãos de outrem. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A DECADÊNCIA DOS SISTEMAS POLÍTICOS E RELIGIOSOS

CONTRIBUIÇÕES DO PENSAMENTO KRISHNAMURTIANO À TERAPIA HARI

No artigo anterior, falamos do acúmulo do passado na mente e na vida das pessoas e principalmente da questão do medo que não as deixa viver plenamente. Neste, daremos continuidade a essa temática e avançaremos mais no pensamento de Krishnamurti.

A frase “Uma vida que não é revisitada não merece ser vivida!”, creditada a um dos grandes filósofos gregos, Sócrates, é bastante conhecida nos meios acadêmicos, entre estudantes e professores de Filosofia. Da mesma forma, aquelas perguntas básicas, como por exemplo “De onde viemos?”, “Para onde vamos?”, “Qual o significado da vida?”, “Existe Deus?”. Pois bem, Krishnamurti nos diz que tais perguntas são “inanes”, ou seja, não fazem nenhum sentido ou não têm nenhuma importância. Segundo ele, o que importa mesmo é termos uma mente atenta e séria: “Sem dúvida, a mente medrosa, confusa, que se satisfaz com uma mera explicação, é completamente incapaz de exame. Para fazer uma pergunta correta, a pessoa deve estar plenamente amadurecida – não em anos, porém interiormente. Maturidade implica compreensão total da existência, percepção total: escutar, ver compreender o amor, a verdadeira essência de um viver total. Só uma mente amadurecida pode fazer a pergunta correta, e esta pergunta correta não requer uma resposta de fora, porém a resposta estará contida nela própria”.

Unicamente lendo as palavras de Krishnamurti, dificilmente se entenderá do que ele realmente trata, pois o pensador indiano não emprega, por exemplo, as palavras  escutar, ver, viver e compreender, com o mesmo significado ou intenção que geralmente lhes são dados. Ele não diz “ver” ou “escutar”, referindo-se meramente aos sentidos comuns, Krishnamurti fala como se esperasse que os que o ouvem já fossem capazes de ir um pouco além dos meros sentidos. “O ato de escutar – tal como o de ver, é, com efeito, uma das coisas mais difíceis que há. O ver uma coisa muito claramente exige-nos toda a atenção”. Outra coisa: é importante perceber que até a palavra “amor” não tem aquele aspecto romântico ou espiritualista (como soa, quando ouvimos do Cristo, por exemplo, ou de pregadores de templos e igrejas). Tão é assim que ele relaciona “amor” com uma outra palavra com a qual não é comum (e até parece um tanto estranho) se associar. Ele diz que “interesse é amor”, querendo dizer provavelmente que quando “amamos” verdadeiramente damos toda atenção à coisa ou à pessoa amada, dedicamos todo o nosso “interesse” a ela, estamos plenamente “interessados” só por ela – com total “dedicação”.  E ele completa: “Só quando há grande afeição e amor pode-se ver o movimento total da vida”.

Lembremos que Krishnamurti, em suas palestras, pretende deslocar o pensamento de sua audiência para fora do condicionamento causado pelo tempo e seus mecanismos, como a memória, a repetição e a velha significação dada às palavras, principalmente aquelas palavras que imediatamente após serem lidas ou pronunciadas causam uma reação na mente – como se “a palavra” fosse “a coisa”. Quando da sistematização da T.H., também foi necessário “dessignificar” e “reconceituar” certas palavras demasidamente desgastadas pelo uso religioso e sentimentalista, tais como “atman”, “Avatar”, “Eternidade” e “Ser Supremo”. E a temática levantada neste capítulo da série, é bastante pertinente, para que se tenha a noção da proximidade da proposta do pensador indiano com os propósitos da T.H. Sigamos com as palavras do próprio orador: “Sei que uma das coisas atualmente em voga, na religião, é “a busca da verdade ou Deus”. Tendes de lançar ao mar essa palavra sem significação. O que tem significação é descobrir se o cérebro pode tornar-se altamente sensível, quieto e livre”, diz ele. Ora, a “sensibilidade” da qual o orador fala de forma nenhuma pode ser aquela com a qual estamos acostumados a tratar – a sensibilidade ao toque, à dor, ao carinho, absolutamente. A sensibilidade à qual ele se refere é uma tal que deixa todo o nosso ser em atenção, ciente de tudo o que vemos, como se tudo fosse maravilhosamente novo, ou seja, não lhe dando nenhuma já usada significação ou interpretação – apenas dedicando-lhe total “interesse”.

Krishnamurti nos exorta à busca da verdade que não está nos livros sagrados, nem nos templos, nem nas igrejas, e nem mesmo poderia ser monopólio de uma religião ou de um autoridade qualquer, fosse essa autoridade um guru, um Avatar, o papa, Cristo ou Buda. Essa “verdade” só pode ser encontrada “em nós” e de forma nenhuma “lá fora”. Para tanto, ele nos tenta mostra o poder desastroso que o tempo exerceu sobre nós, sobre nossa mente. É por isso que ele diz: “Dez mil anos de propaganda formaram essa consciência. As religiões, os guias, políticos ou religiosos, os livros, a propaganda, as crenças, as doutrinas, os salvadores, perderam toda a significação”. O orador quer que percebamos como a propaganda, enquanto instrumento do tempo, exerceu sobre nós uma tremenda força dominadora que não nos deixa pensar “o novo” – somente o velho, ou que está estagnado e morto para “a vida”. Então, ele completa: “E tudo isso é o resultado da propaganda, propaganda do Gita, da Bíblia, do Alcorão ou das teorias de Marx e de Lenine. Entendeis? Eis o que somos, sem nada de original, nada de verdadeiro: entes humanos de segunda mão”.

  

 Causar uma total “desilusão” sobre todos os sistemas, políticos ou religiosos, seguidos até aqui, como se fossem fórmulas ou modelos para uma vida plena, livre dos conflitos, das guerras, é o que Krishnamurti pretende nessas suas palestras. Evidentemente, que o público, e também nós, ficamos sem qualquer chão, se temos que erradicar de dentro de nós todas as nossas crenças, todas as nossas significações; se temos de remexer velhas idéias e, despidos delas, encontrar sozinho a verdade que tanto buscamos. Por isso mesmo ele admite que não é uma tarefa fácil tomar para si total responsabilidade pela busca, sem contar com qualquer velha autoridade, representada pelo que quer que seja, homem, doutrina, regime ou livro sagrado. “O mundo se acha em guerra; e acredita-se que, pelo poder de uma certa prece, uns poucos indivíduos, reunidos e pronunciando determinadas palavras, serão capazes de resolver esta imensa questão que há mais de 5 mil anos permanece sem solução. E continuam a repetir-se tais palavras, embora se saiba que jamais se porá  fim à guerra dessa maneira”, falando assim o pensador nos põe cara a cara com nossas crenças banais e imputa toda a culpa do caos a nós, que deixamos tudo seguir sempre assim, sem qualquer objeção. “Se investigardes bem profundamente, verificareis que o homem é indolente. O caos se originou da preguiça, da indiferença, da inércia do homem, do seu espírito de aceitação. Essa aceitação gera uma tremenda indolência. Não ousais questionar vossa religião, vossa comunidade, vossa crença, a estrutura social, o nacionalismo, a guerra; aceitais tudo”. E conclui: “Dessa maneira vivemos a séculos e séculos, sempre a contar que outro resolva os nossos problemas. Seguir outra pessoa é a essência da indolência”.


O pensador indiano não economiza esforços para nos fazer abdicar dessa nossa agradável “zona de conforto”, que só males nos tem causado, embora, indolentemente, acreditemos que seja a causa de nossa sobrevivência sobra a Terra. Acreditamos que seguindo Krishna, Rama, Shankaracharya, Buda ou Cristo, estamos seguindo o caminho da “verdadeira religião”; acreditamos que seguindo o que disse Marx, Lenine, Churchill, Gandhi, ou outro qualquer, estamos corretamente engajados na mais perfeita política social, favorecedora dos anseios populares e supridora das necessidades dos homens. “Não julgueis que qualquer dos políticos ou dos guias religiosos, por todo o mundo, esteja vendo o problema como um todo. Há fome, há guerra; a religião falhou totalmente e nada mais significa, exceto para umas poucas pessoas. A crença organizada está perdendo sua força, a despeito da espetaculosa propaganda que se faz, nos jornais e em toda parte, em nome de Deus, em nome da paz. Vemos, assim, que nem a educação, nem a religião, nem a política resolveu o problema, e tampouco a ciência o resolveu”.

Se, como diz o pensador, todas as crenças e todos os regimes políticos falharam em resolver o nosso grande problema existencial, que é o conflito, tanto interior quanto exterior, e nem mesmo a educação ou a ciência foram capazes disso, nem promovem qualquer mudança verdadeira, para melhor, isso não quer dizer que devamos viver à deriva, desamparados de toda instrução e descrentes de toda a ciência, mas tão-somente promover uma total mudança em nossa maneira de viver, o que refletirá em todas as atividades humanas, portanto, na nossa maneira de educar e de fazer ciência. Quanto à religião e à política, o caso é mais complexo, uma vez que a primeira se perpetua pelo poder da autoridade sacerdotal, ou da tradição dos ritos, ou ainda da palavra morta dos livros sagrados; e a segunda, promove uma noção de poder dominador sobre aquele que recebe legitimamente ou pela força a tarefa de legislar sobre o povo e manter a ordem (geralmente conforme lhe seja favorável, e não necessariamente conforme os anseios dos súditos ou subordinados).

O fato é que, sem contradito, pode-se perceber claramente que a humanidade tem caminhado com pouco êxito para a paz e a felicidade desejadas. Nosso próprio modo de viver promove a guerra, que, segundo Krishnamurti, é a expressão final do conflito que há dentro em nós. Voltando, então, ao que foi dito por Sócrates, na Antiga Grécia, toda a nossa vida precisa ser revista, no sentido de encontrarmos um novo caminho, que não seja pautado na acumulação do conhecimento, que até aqui só nos fez reforçar “a imitação”, “a cópia” do erro, “a repetição” de fórmulas vazias e ineficazes. E  é com as próprias palavras do orador indiano que encerramos este segundo artigo da série:
“Temos de compreender este enorme problema, ou seja, que está em jogo o destino do homem, a sorte do ente humano e não de algum indivíduo em particular.” 

segunda-feira, 11 de março de 2013

SRILA PRABHUPADA E A TERAPIA HARI


“Nasci na mais obscura ignorância, e meu mestre espiritual abriu meus olhos com o archote do conhecimento. Ofereço-lhe minhas respeitosas reverências.”
Srila Prabhupada ki jay!


Nos anos de 1980, eu estava na faixa etária dos vinte anos e era uma fervoroso buscador da Verdade e de explicações sobre a vida, que o cristianismo, a religião em que nasci, ao meu ver, havia falhado em responder. Naquela época, empreendi estudos nas principais religiões do mundo, assim como em doutrinas e ordens místico-esotéricas, como o ocultismo, o rosacrucianismo e o espiritismo. Era um estudo sério, porém desordenado, pois não havia nenhum critério, a não ser o fato de que adquiria tudo o que via pela frente, em termos de livros ou revistas sobre aqueles assuntos, que meus parcos recursos financeiros podiam comprar, fazendo anotações, aqui e ali, de tudo o que fosse novo e interessante. No entanto, minha busca parecia mais com o revirar de uma montanha de papéis jogados no lixo, tentando achar algo que nem mesmo eu sabia se estava lá. Foi por essa ocasião que caiu em minhas mãos o livreto “Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeitas” – diálogos entre Srila Prabhupada, fundador do Movimento Hare Krishna, e Bob Cohen, um voluntário da paz na Índia.
Isso se deu quando encontrei pela primeira vez os monges Hare Krishna nas ruas de minha cidade natal. Eles eram pessoas incomuns, com vestimentas estranhas para os padrões do Ocidente (imaginem então para uma cidadezinha, provinciana, do nordeste brasileiro), mas eu já tinha visto fotos de pessoas da Índia com aquelas vestimentas e aquele estilo de cabelo. Eram, em sua maioria, jovens de minha faixa de idade, usando cabeças raspadas com apenas um tufo de cabelos, como se fosse um rabo-de-cavalo, como fazem as mulheres. Adquiri o livreto e umas varetas cheirosas, chamadas “incensos”.
Assim que pude, sentei-me, em algum lugar e comecei a folhear o pequeno livro. Comecei pela Introdução, escrita por Bob Cohen, datada de agosto de 1974 (mas os primeiros diálogos datam de 1972), uma década antes. Ali ele próprio explicava como fora sua experiência de encontrar o mestre hindu e seus seguidores na Índia. Também, logo de início, apresentava o Mantra Hare Kishna (uma sequência de palavras desconhecidas, escritas como se fosse um poema, que deveria ser recitada ou cantada várias vezes ao dia), como algo que o fazia sentir-se bem e, segundo Prabhupada, era uma via para o êxtase místico, uma espécie de “união com a Divindade Suprema”. Em seguida, vinha uma série de diálogos, que serviam muito bem para apresentar e explicar a filosofia e os fundamentos daquele Movimento. A primeira pergunta era “Que é um cientista?”. E a resposta dada pelo mestre hindu foi “Aquele que conhece as coisas tais como elas são”. Bem, o certo é que me senti levado a devorar aquele livreto sem pausa alguma, pois o debate que surgia a cada nova temática era cativante e atiçava em mim uma curiosidade, cada vez mais crescente, em saber onde tudo aquilo ia dar. O resultado, para Bob Cohen, foi tornar-se discípulo de Srila Prabhupada e, para mim, passar a frequentar o templo Hare Krishna todos os domingos, da tarde até à noite, para, em breve, tornar-me, eu mesmo, um devoto externo (Bhakta).
Eu não conheci pessoalmente aquele que reconheço como meu mestre espiritual (embora não tenha ele me iniciado). Srila Prabhupada desapareceu (como se diz na linguagem dos Hare Krishna) deste mundo no dia 14 de novembro de 1977, uns cinco anos antes de eu ter contato com sua obra espiritual. Mesmo assim, foi ele que, de certa forma, com sua obra, me manteve por quase uma década dentro do Movimento. De frequentador do templo, passei a devoto, tornei-me vegetariano, vendi livretos e incensos nas ruas e nos ônibus de pelo menos três capitais do Brasil. Depois tomei meu próprio rumo, enriquecido com aquelas experiências e com as amizades que fiz, dentro e fora do Movimento Hare Krishna. Eu tinha uma busca maior e não poderia ficar estacionado naquele estágio de conhecimento. Ainda havia muito o que aprender com filósofos, cientistas e livres pensadores de todas as tendências, não somente a religiosa ou espiritual. Tinha de seguir, agora com uma bagagem mais carregada, e dar continuidade à busca pela “minha Verdade”.
Meu Bhagavad-Gita
A obra de Srila Prabhupada, juntamente com as informações colhidas entre os outros devotos, formaram um quadro vivo daquele homem em minha mente, de tal forma que eu posso até dizer que sentia sua presença ao meu lado e, de certa forma, até recorria a ele nos meus momentos de aflição, hesitação e dúvida. Seu exemplo me acalentava e me fazia prosseguir, a despeito das dificuldades pelas quais passei (entre as quais, resistência da minha família católica, distanciamento dos velhos amigos e afastamento deles, tendo que passar algum tempo morando no templo ou fora da minha cidade natal). Ter sido um Hare Krishna foi, sem dúvida, uma experiência ímpar e produtiva em minha vida. Trago comigo, até hoje, os resultados gratificantes dela, e ofereço minhas humildes reverências, em agradecimento, ao meu mestre espiritual.
Abhoy Charanaravinda (nome de batismo de Prabhupada) era um homem espirituoso, de muito bom humor e alto astral sempre, a despeito da sua idade avançada e dos dissabores físicos que ela engendrava. Partiu no dia 13 de agosto de 1965 (uma sexta-feira) de Calcutá, Índia, para Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, abordo do navio Jaladuta, aos 69 anos de idade, com uma passagem gratuita com direito a alimentação e poucas rúpias (moeda indiana) no bolso, numa viagem que duraria até 17 de setembro daquele ano, durante a qual sofreu dois ataques cardíacos e uma série de outros incômodos em sua saúde, mas resistiu e fundou, em território americano o seu Ashram.
Tendo vivido como um Hare Krishna, lendo e ouvindo coisas sobre Prabhupada, fora inevitável não ter nele uma fonte de inspiração para algo que já tinha sua semente dentro em mim, mas que ainda não tinha “um nome”, muito menos “um objetivo” claro. A Terapia Hari, como passei a chamar uma certa prática diária de Filosofia, Psicologia e Orientalismo, brotou de dentro de mim na virada do milênio, pouco depois de eu ingressar na faculdade de Filosofia. Senti a necessidade de sistematizar tudo o que havia aprendido, em leituras ou vivencialmente, todas as experiências e anotações, minhas incursões pela Ordem Rosacruz (anos ’90) e pelo Movimento Hare Krishna (anos ’80).
Em Srila Prabhupada lilamrta, Vol. 2 (Plantando a semente) li e guardei para mim esta frase do mestre: “Onde quer que estivesse, eu pensava: ‘Este é meu lar’”. Passei a reforçar a ideia em mim de que assim deveria pensar todo homem – como um ser cosmopolita, um espécie de homo universalis. Sobre “Deus” (Krishna, para ele), em Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeita, respondendo a uma indagação de Bob Cohen, sobre Deus ser “todo-poderoso”, disse: “Ele tem que ser muito belo, muito sábio, muito poderoso, muito famoso... Ele foi o maior dos patifes também”. Percebi, imediatamente ali, que se tratava de alguém que transmitia conhecimento, autoridade e despertava respeito, pois tinha uma espécie de “intimidade com Deus”, uma falta de respeito (ainda que envolta em plena adoração) para com Krishna, muito parecida com uma relação entre amigos, na qual é comum que um se refira ao outro com palavras depreciativas e de baixo calão, porque podem se tratar assim, porque sentem uma proximidade que os absolve de qualquer calúnia, de qualquer culpa ou má intenção. Prabhupada me mostrou exatamente o contrário do que o cristianismo insiste em pregar: ele me mostrou que não havia necessidade de temer a Deus, e que nossa principal missão na vida era conhecê-Lo, para falar às pessoas do mundo sobre Ele com autoridade, simplicidade e desenvoltura. O mestre dizia: “Particularmente, eu posso ser o maior tolo, mas como estou falando de Krishna, dizendo exatamente o que Ele, o maior cientista, o conhecedor de todas as coisas, disse, então, eu sou o maior cientista!”.
A Terapia Hari pretende fazer com que as pessoas primeiramente se conheçam a si mesmas, que se sintam cidadãs deste lar (o planeta Terra, em particular, e o Universo, como um todo), e, em seguida, descubram se é ou não necessário sair em busca “do outro”, seja ele um cientista, um filósofo, um profeta, um mestre ou um deus. Essa descoberta, na linguagem dos filósofos Aufklärung, na dos cientistas Insight, na dos místicos Iluminação, provavelmente não será o fim de uma existência, nem mesmo o fim de uma busca, pois creio com todo o meu fervor que, a partir daí, haverá tanto desejo em realizar, que todos quanto chegarem a ela perceberão que somente naquele instante começa o tempo que não precisa mais de tempo – a Eternidade.

REFERÊNCIAS: (Obras citadas)
  • Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeitas – Diálogos entre Srila Prabhupada e Bob Cohen, um voluntário da paz na Índia (The Bhaktivedanta Book Trust);
  • Srila Prabhupada-lilamrta, Vol. 2 - Plantando a semente (The Bhaktivedanta Book Trust);
  • O Bhagavad-Gita Como Ele é (The Bhaktivedanta Book Trust).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MALES DA ALMA


OS ENGANOS DA PSICOLOGIA E DA RELIGIÃO

Desde a figura mitológica de Psyché, aquela bela jovem por quem se enamorou Eros, até a criação da Psicologia, da Psicanálise e outras psicoterapias, muito tempo se passou. O que nunca passou mesmo, apesar de tantos anos e tantos estudos despendidos, foi a falta de compreensão dessas ciências e terapias, que insistem em “rebaixar” a alma ao condicionamento existencial, sujeitando-a a todo tipo de mazela, sofrimento, dor e vicissitude que o mundo material pode oferecer.

Não é de hoje que a Psicologia chama a angústia, a depressão e o tédio, entre outras enfermidades psíquicas, de “males da alma”. E, nesse viés, profissionais de diferentes áreas da Medicina, sobretudo da área clínica, insistem em propalar essa “ignorância” em seus tratados, discursos, palestras e artigos.

Talvez a culpa não seja totalmente deles nem da própria Psicologia. A Religião, mormente a cristã, dominadora da cultura e das linhas de conhecimento do Ocidente, que deveria saber alguma coisa sobre a alma, insiste em tratá-la, também, como um joguete do mundo e de Deus.

A intenção dessa série de artigos que escreverei aqui não é fazer frente à Psicologia ou ao Cristianismo, como um todo, mas resgatar a concepção original e verdadeira da alma e, consequentemente, retirá-la da condição vilipendiosa, falsa, imprópria, impossível e vulgar em que foi atirada. Essa tarefa não será fácil e, por isso, sei que apenas poucos leitores compreenderão o que direi. Destarte, tratarei dessa “defesa” em capítulos, tentando apresentar bem meus argumentos e esclarecer essa questão, sem deixar dúvidas, não sobre a alma (que é um tema muito complexo), mas sobre o ponto de vista da minha Terapia.

Para tanto, levantarei pontos pertinentes à questão de cunho psicológico, religioso e filosófico, declarações de profissionais dessas áreas, recorrendo, ainda, a textos que tratam da alma tal como ela é e ao próprio sentido primitivo, que, ao que parece, há muito foi esquecido. Claro que eu poderia também iniciar esta série de artigos, dizendo simplesmente: “Tudo bem! Podem continuar a usar o termo “alma” para essa coisa miserável, mesquinha, pequena, frágil, mortal e incurável que vocês tratam aí. Eu, em nome da Terapia Hari e de todo o conhecimento adquirido no arcabouço das várias culturas e civilizações, já me utilizo mesmo do termo “atman”, que nada tem a ver com “essa coisa” de vocês”. Mas não se trata de uma abordagem técnica, explicativa ou pedagógica desse termo, no âmbito restrito da Psicologia, da Filosofia ou da Religião. Trata-se do resgate da verdadeira concepção de alma, para que as pessoas, em qualquer desses âmbitos, tenham o entendimento claro do que cada um deles realmente está falando e não sejam ludibriadas com retóricas acadêmicas, filosóficas ou religiosas.

A psicóloga, Drª. Lílian Graziano, em seu artigo “Psicologia Positiva: A psicologia da felicidade”¹, nos diz: “Para esses autores [os fundadores da Psicologia Positiva, entre os quais, Martin Seligman], a Psicologia nasceu pautada no modelo de doença, e, como tal, desenvolveu seu olhar exclusivamente em direção ao caráter disfuncional do ser humano”. E diz mais: “Isso significa, que na prática, a ciência psicológica raramente consegue ir tão além quanto suas discussões filosóficas poderiam sugerir, quando o assunto é a compreensão da totalidade humana, uma vez que todos os seus esforços têm sido direcionados a apenas um dos lados da moeda”. E, para concluir suas observações, diz ela: “Preocupada apenas em curar doenças, a Psicologia deixou sem respostas aqueles que questionavam sobre ter uma vida feliz, abrindo espaço para que as forças e as virtudes humanas fossem discutidas sem base científica e, por vezes, de maneira hipersimplificada”.

Evidentemente, as palavras da drª. Graziano não pretendem detratar a Psicologia, e muito menos respaldar minha defesa na temática deste artigo, e, sim, valorizar o trabalho da Psicologia Positiva, da qual é membro, como um avanço da ciência psicológica. No entanto, seu discurso serve como aviso às limitações da Psicologia tradicional e seus possíveis enganos e falhas. Um desses, sem dúvida alguma, se dá quando essa ciência impinge à alma os males que são de natureza psicofísicas, ou seja, males existenciais (esfera a que a alma jamais pertenceu, e jamais pertencerá).

Considerando que a Ciência e a Religião são dois baluartes da cultura ocidental e, se estou com a razão, ambas são incapazes de fornecer uma concepção verdadeira de “alma”, indo além, em seus respectivos enganos, ao deturpar o próprio conceito e definição de “alma”, vilipendiando-a com suas respectivas acusações a ela – no caso da Ciência, afirmando que a alma está sujeita a enfermidades; no caso da Religião, pregando que ela pode ser queimada e destruída; parece-me louvável exortar os meus leitores a seguirem o mesmo conselho que o filósofo Sêneca (    ) deu a seus contemporâneos: “Recusem-se a seguir a multidão!”, que neste caso seria: “Descreiam dessas afirmações da Psicologia e do Cristianismo sobre a alma!”, e me ouçam.

A Ciência e a Religião se apropriaram do termo “alma” e, de certa forma, manipularam sua definição ao bel prazer, em favor, evidentemente, dos seus interesses próprios. Para a Psicologia, por exemplo, era necessário trazer a alma para o âmbito físico, para que seus estudos pudessem ser aceitos como “científicos”, e ela se desvencilhasse da Filosofia, sem descambar para uma espécie de “psicometafísica”. Para o cristianismo, a alma não poderia manter sua condição de eterna, pois seria da mesma natureza de Deus, e não haveria como “assombrar” os cristãos com suas visões do Inferno (lugar destinado às almas dos pecadores, segundo a Igreja). A alma que é “alma” mesmo, no entanto, não é manipulável em seus verdadeiros atributos – ela não sofre as aflições físicas nem pode ser queimada no fogo, nem mesmo o do Inferno – nem mesmo pela “vontade de Deus”.

Em meu livro, “O Governante das Estrelas – Da Materialidade do Eterno” (ainda não publicado), explico que o Paramatman (a Alma Suprema) é constituída por partes e parcelas denominadas de “atmans”, as quais são indissociáveis dEle e possuem a mesma “essência” e “atributos”. Isso significa que, se os atmans estivessem sujeitos a mazelas, à ação do fogo e à morte, o Paramatman (Alma Suprema/Ser Supremo, ou “Deus”, se preferirem) também estaria, pois são todos da mesma “natureza”. Lá, também explico que até o Paramatman tem o seu duplo ou dublê. Este é denominado de Hari, o “Jiva Supremo” (Alma Suprema encarnada), cujo corpo é toda a extensão do Universo, constituído de duas Naturezas: a material e a espiritual. São essas “Naturezas” que criam e mantém todos os seres do Universo (isso quer dizer em todos os planetas de todas as galáxias e de todos os recantos imagináveis ou não). No planeta Terra, somente os humanos são “jivas” (alguns só entenderão se eu disser: “Somente os humanos têm alma”, pois muito bem, que seja). Os demais seres, plantas, animais e vegetais, recebem da “Natureza” apenas os veículos necessários à sua “expressão” no mundo/Existência, a saber: um corpo e um espírito. Isso significa que tais seres não possuem uma “essência” no mundo/Eternidade, pois eles “não são atmans”, como nós.

Para que minha exposição fique mais clara, é necessário informar ao meu leitor que, segundo a Terapia Hari, há duas instâncias a serem consideradas, quando tratamos conjuntamente de Alma, Deus e Seres Humanos, a saber: a Existência, que constitui tudo o que é físico, material, elementar, sutil, etéreo, mental, psíquico, fluido, atômico – numa palavra, objeto de estudo e perscrutação do intelecto; e a Eternidade, instância inacessível à perscrutação lógica, que é a totalidade de toda a Existência e ainda mais (sendo esse “mais” o imperscrutável, tal é a sua “essência”) e que é considerado, na T.H., como Paramatman (Alma Suprema), do qual fazem parte todos os atmans (almas individuais). Embora essas explicações ainda não se demonstrem totalmente compreensíveis, ajudarão na compreensão dos meus argumentos, em breve.

É preciso lembrar que muito antes do surgimento da ciência psicológica e ainda antes do próprio cristianismo, a alma já era “perscrutada” em suas possíveis características e atuações. Claro que nunca houve um consenso entre as variadas culturas e povos primitivos. No entanto, algo fundamental participava de todas as noções e conceitos sobre a alma, sempre considerando-a como tendo uma natureza sagrada, divina e transcendental. “Os caracteres fundamentais das religiões professadas pelos povos primitivos são: crença num poder supremo; crença em espíritos independentes; crença na alma humana, distinta do corpo e separando-se do mesmo com a morte”². Para nós da T.H*, a expressão “alma humana” não passa de um reforço de linguagem, pois toda alma só pode ser “humana” (até que tenhamos provas consistentes de vida igual ou superior à nossa, universo afora, que possa comportar também a ideia de existência, a partir desse “elemento vital”).

Para finalizar a primeira parte dessa série de artigos sobre a alma, deixarei esse trecho, encontrado no Bhagavad Gita, que diz: “A alma nunca pode ser cortada em pedaços por nenhuma arma, nem pode ser queimada pelo fogo, nem umedecida pela água, nem seca pelo vento. Esta alma individual é irrompível e insolúvel, e não pode nem ser queimada nem seca. É eterna, todo-penetrante, imutável, imóvel e eternamente a mesma.”

¹ Revista Ciência & Vida Psique, Ed. Especial, Ano III Nº8, Ed. Escala
² História da Educação Universal e Brasileira (Intermedial Editora), autor Nelson Valente