segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TATEANDO NO ESCURO SOB AS LUZES DA ETERNIDADE

PALESTRAS NO CAP


Na quinta-feira (14/08), o Prof. Jaya esteve no CAP – Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual do Maranhão “Anna Maria Patello Saldanha”, para ministrar palestras, pela manha e à tarde. O título escolhido, bem a propósito, foi “Tateando no Escuro sob as Luzes da Eternidade”. O tema principal, que perpassou toda a palestra foi “identidade e identificação”. Nosso diretor/fundador conduziu a temática de forma a apresentar o ponto de vista da T.H. e como o MOFICUSHINTH, através de seus cursos, artigos e palestras, trabalha por uma filosofia prática.


Logo de início, em sua Preleção, ele disse: “A experiência histórica nos faculta dizer que os eventos próximos podem até ser tratados à exaustão, porém, só são compreendidos devidamente quando analisados a certa distância. Por isso mesmo, penso que a temático que trataremos aqui hoje pode ser analisada de maneira bastante satisfatória, uma vez que carrega consigo questões que desde longo tempo preocupou a humanidade, como um todo.”



Depois, ele expôs num slide os conceitos de “identidade” e “identificação”, para em seguida complementar: “Embora o dicionário nos diga isso, creio que devemos fazer uma investigação um pouco mais profunda sobre esses dois termos, fora do contexto meramente semântico ou vocabular. Precisamos entender como entendemos “identidade e identificação” nos planos real, existencial e sensorial”, e discorreu sobre os três planos. Então, acrescentou: “cada um de nós tem um corpo, existe enquanto corpo, sente a Existência graças a esse corpo. Nós desfrutamos do prazer ou sofremos as dores nele e através dele, – nas dimensões corpórea, espiritual e mental. Porém, curiosamente, dá-se, ao longo da Existência, um fenômeno peculiar, porém estranho: esse corpo “muda” sua forma, seu aspecto, etc (na dimensão corpórea); muda seu estilo de vida, seus gostos, etc (na dimensão espiritual); muda seus pensamentos, suas idéias, seus ideais, etc (na dimensão mental). Então, o que sobra do “antigo eu”, da antiga identidade, se ela segue em constante mutação? Ainda mais curiosamente, com o advento da morte, aquele corpo está ali, praticamente como sempre foi, porém percebe-se que ele “já não é”. O que aconteceu? Qual a razão para que ele, embora ainda sendo ele, não seja mais?”.


O Prof. Jaya questionou não só o corpo como “identidade”, mas também o gênero, a idade e o nome. Ele perguntou à plateia: “Se o gênero e a idade também fazem parte da identidade de uma pessoa, por que alguém que nasceu no gênero masculino se sente do gênero feminino, ou alguém com 60 anos ou mais diz se sentir como se tivesse ainda vinte ou trinta e poucos anos?”, e, prosseguindo, disse: “Ao nascermos, recebemos um nome com o qual seremos identificados e pelo qual seremos chamados, primeiramente pelos familiares, depois por amigos, colegas de escola, colegas de trabalho, etc. Muitos de nós recebem também um apelido, o qual passa a se agregar à nossa personalidade: Carlos/Carlinhos; Eduardo/Edu; Jorge/Juca, etc. Artistas, celebridades, religiosos, políticos, escritores, etc  trocam de nome ou adotam pseudônimos que passam a ser mais fortes do que os próprios nomes de batismo. Até que ponto, então, o nome que recebemos ao nascer pode ser a nossa “identidade”?”.


Houve momento na palestra para se falar também sobre o que é o sucesso e a realização. A pergunta que o prof. Jaya lançou a todos foi: “Se sucesso e realização se traduzem na Existência basicamente em fama, dinheiro e poder, concluindo-se assim que quem obteve tudo isso vive ou viveu feliz, podemos dizer que Jesus Cristo teve sucesso ou se realizou em sua vida?”.

Perguntas como essa, que tratam do cerne de certas religiões, causa desconforto e polêmica entre a plateia e foi isso mesmo que se viu por lá. Os mais religiosos apressam-se em responder que “sim”, pois aquela era a sua missão – morrer pelos homens. No que o professor aproveitou para perguntar: “E nós? Nós temos alguma missão a cumprir no mundo?”. Algumas pessoas responderam que “sim” e cada uma tentou dizer qual seria a sua. Ao que o professor viu ali o apoio necessário ao que ele realmente queria perguntar: “Se recebemos uma missão ainda antes de nascermos, então isso não significaria que existíamos antes de nascer? E, portanto, nossa identidade original não se encontra exatamente no mundo, mas antes dele!”. Todos ficaram sem respostas, mas alguém resolveu devolver a pergunta ao nosso diretor, dizendo: “E para o senhor, qual é então a nossa identidade original?”. O prof. Jaya explicou que ele bem poderia acabar com a questão ali mesmo, dizendo que nossa identidade original é “Atman” (Alma Original), mas preferiu se fazer de “Sócrates”, e respondeu: “Não sei! Por favor, não faça perguntas a um filósofo – um filósofo é a pior pessoa a quem se pode perguntar alguma coisa. Ele é aquele que traz as problemáticas, os questionamentos; nunca, as respostas!”.


Mas no tópico seguinte, “Posição Original e Condição Existencial”, o prof. Jaya começou a delinear seu pensamento sobre nossa verdadeira identidade antes e depois da passagem por esta existência. Ele chegou a dizer: “se a religião pode nos apresentar a possibilidade de uma “existência post-mortem”, qual seria a nossa dificuldade em também considerar uma “vida antes da existência”? Essa vida anterior à existência poderia então ser a nossa “posição original”. E, sujeitados aos prazeres e mazelas da Existência, é que estaríamos experienciando a nossa “condição existencial”. Ou seja, esse “condicionamento” se efetiva enquanto estamos dentro do veículo chamado “corpo” – enquanto “condicionado”, corporificado”; e no tópico “Quem somos nós?”, o professor pergunta: “O que é o ser humano? Seria ele apenas o animal mais complexo, mais completo, mais inteligente, mais perfeito da Natureza? Seria ele, como propõe a Bíblia, a imagem e semelhança de Deus? Qual a nossa importância na trama universal?”.

No tópico “Eternidade X Imortalidade”, nosso fundador expôs seu pensamento sobre a reencarnação e explicou que o fato de sermos mortais não invalida a possibilidade de sermos eternos. Pois o que morre, diz ele, é aquilo com o que nos identificamos no mundo, enquanto o ser que somos na verdade segue de existência em existência.


Em outros tópicos, como “Livre Arbítrio X Determinismo”, “O que é a vida?”, “O que significaria morrer?”, o prof. Jaya vai encaminhando a audiência para os ensinamentos contidos na T.H., aí então ele chega ao tópico “Filosofia Teórica e Filosofia Prática”, mostrando que os primeiros filósofos (ou pensadores) vivenciavam sua filosofia, mas, ao longo do tempo, a Filosofia se tornou algo teórico, acadêmico. Então ele desenvolve o tópico “Qual o papel da Filosofia na vida?”, para só então, nos tópicos “O que é a Terapia Hari?” e “Por que Terapia e não Filosofia?”, ele realmente aportar no verdadeiro motivo de todas as suas palestras e artigos: a apresentação da Terapia Hari para um público já tocado pelos temas relevantes da vida, de tal forma que ela possa ser entendida e, por fim, aceita.


Bem, esta palestra pode ser levada a qualquer instituição, escola, faculdade, empresa, ou simplesmente apresentada para pessoas que realmente estejam dispostas a perscrutar as coisas valiosas e duradouras. Esperamos que muitos se interessem por ela e convidem o nosso diretor para levar para muito mais pessoas sua T.H. e este Movimento.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A MAIOR REVOLUÇÃO HUMANA

A T.H. E O ESTUDO AVANÇADO DE FILOSOFIA


Há aproximadamente vinte sete séculos, iniciava-se um período de grande busca pelo conhecimento das coisas do mundo, da Natureza e da Existência. Como num passe de mágica a Terra deu cria a grandes homens, em algumas regiões, diríamos, privilegiadas do planeta, como a Grécia e a Índia, onde nasceram, por exemplo, Tales de Mileto (considerado o primeiro filósofo ocidental) e Siddharta Gautama (que se tornaria Buda, um dos maiores sábios da Oriente). Parecia que dali em diante era premente que o homem perscrutasse os grandes mistérios do mundo e decifrasse seus aparentes enigmas. Compreendeu-se, de repente, que era necessário indagar seriamente sobre o Universo à sua volta (composto pelos eventos naturais, os fenômenos captados por nossos cinco sentidos), tanto quanto uma espécie de “universo em seu interior” (onde se situam as emoções, os sentimentos, as vontades e as crenças inatas, que somente muitos séculos mais tarde, Karl Gustav Jung daria o nome de “inconsciente coletivo”). De lá para cá, essa busca frenética pelo conhecimento precisou ser sistematizada, dando origem às chamadas “Ciências” – as naturais (que pretendem dar conta dos fenômenos da Natureza), as exatas (dentre as quais a geometria, a aritmética e a matemática) e as denominadas de ocultas (que tratam dos fenômenos metafísicos, não apreendidos pelos nossos cinco sentidos).

            Essas ciências não param de dar crias e se renovam constantemente ao sabor dos novos conhecimentos adquiridos e da avassaladora tecnologia, que propiciou a criação de aparatos e dispositivos, como os telescópios e os satélites, que potencializam exponencialmente nossas capacidades físicas naturais, devido a seu alcance cada vez mais preciso e ao longe. Foi assim que os homens chegaram ao conhecimento de que a Terra se move, e esse movimento, diferentemente do que se imaginava, é ao redor do sol, e não deste em torno dela. Também, dessa forma é que foi possível concluir que o homem não é meramente um corpo, uma máquina de carne e ossos, mais um ser complexo, equipado, pelo menos, com três veículos, um físico e dois sutis, a saber: o corpo, a mente e o espírito, respectivamente. Daí, o que no começo não passavam de meras suspeitas, por exemplo, que havia outros planetas ou que ainda existia vida após a morte física, puderam encontrar sua comprovação científica.

           
Somente vinte e sete séculos mais tarde, surgiria um sistema filosófico adequado para a vida cotidiana, embora traga consigo um conhecimento avançado, que, apesar de não ser novo, é apresentado de maneira “novíssima”, chegando mesmo a ter que reavaliar certos conceitos, noções e valores, que são tidos como pontos capitais de muitas doutrinas religiosas, de certos sistemas filosóficos e de determinadas tradições, fazendo desse “novíssimo sistema” um desafio, tanto no tocante à sua compreensão quanto no que diz respeito à sua difusão.

             A proposta que a Terapia Hari (ou simplesmente T.H.) traz para aqueles que perceberam as incongruências daqueles conceitos, noções e valores mencionados linhas acima e as falhas ou inconclusões de muitos sistemas religiosos e filosóficos, é a aplicação diária de técnicas vivenciais, respaldadas por ensinamentos que, assimilados e reforçados a cada dia, darão frutos a médio e longo prazo. A T.H. não faz milagres, portanto, também não deve agradar aqueles que esperam resultados urgentes, imediatos. Ela não é uma terapia no sentido clínico ou médico; a cura que ela proporciona é a do “homem”, e não da “doença”. Na verdade, todas as enfermidades se encontram na razão direta desse “desconhecimento de si mesmo” – do homem integral, ou do ser original que é. Esse desconhecimento é “a mãe de todas enfermidades”, de todas as dores e sofrimentos humanos. No entanto, a T.H. não deve ser entendida como uma panaceia, pois ela, ainda que praticada por todos os homens (o que não passa de uma utopia insana), não tem o poder de erradicar a dor e o sofrimento do mundo. Isso porque, como é explicado alhures, a Existência não é a “instância dos absolutos” – ela se estabelece necessariamente sobre pares de opostos (luz/sombra; prazer/dor; vida/morte, etc), sendo, portanto, impossível pretender-se a erradicação de um dos componentes destes pares.

O Estudo Avançado de Filosofia é a porta de entrada para uma terapia do homem integral, a T.H., e somente através da apreensão dos conhecimentos ali ensinados e praticados se obterá “a cura” – sem milagres, sem saltos, sem charlatanismo. O remédio da T.H. tem doses diárias, ininterruptamente. O sucesso não pode ser avaliado segundo resultados facilmente conquistados. Por exemplo: o trabalho iniciado com uma pessoa que se encontra num nível existencial altamente debilitado, seja em seu aspecto físico, moral, mental ou espiritual, provavelmente não dará resultado positivo nesta encarnação. E jamais haverá garantias de quantas encarnações serão necessárias para um efetivo resultado. Sendo, como se vê, de suma importância que o praticante da T.H. compreenda que o trabalho empreendido é árduo e demanda (muito) tempo, e que, portanto, entender  a ciência da reencarnação, compreender o mecanismo cármico existencial e ser determinado em seu tratamento são condição sine qua non para o sucesso em tempo propício.




            Deve entender-se, portanto, que não há qualquer possibilidade de se praticar a T.H., caso não haja previamente uma mudança radical de certos valores, conceitos e noções arraigados na mente. As crenças religiosas e as superstições (que são quase sinônimos) são mais empecilhos do que ferramentas úteis à terapia. Não sentenciamos, como o fez Nietzsche, que “Deus está morto”, mas precisamos, nós da T.H. e os pacientes dela, chegar à conclusão harmoniosa de que “Deus não passa de uma ideia” – às vezes, benfazeja, outras vezes, terrivelmente perniciosa. Aquele “Deus perfeito”, aquele “Deus bondoso” e todos os seus anjos e santos devem ir para o porão do nosso imaginário, tanto quanto o Diabo com suas legiões de demônios e espíritos-de-porcos. Deuses e demônios, senhores do bem e do mal, entidades superiores invisíveis, criadas nos primórdios de toda a eternidade, para ajudar ou corromper o homem, são ideias tão fantasiosas que parecem personagens do imaginário infantil. Nada disso é útil quando se busca resultados verdadeiros na totalidade da Vida. Pobre daqueles que temem a morte por julgar que podem ser atirados no Inferno! Triste daqueles que a ambicionam, abdicando de ter uma existência plena, somente porque “acham” que irão para o Céu! São, como dizem por aí, “almas desperdiçadas” ou, pelo menos, “desencaminhadas”. Enterraram seus talentos e esperam ainda que sejam atendidos (não se sabe por quem) em suas preces.

            A T.H. tem a pretensão de trazer o arcabouço do conhecimento humano em gotas homeopáticas. Para tanto, porém, teve que fazer uma depuração em todo esse conhecimento, pois, ao longo da Existência, apreende-se o que é verdadeiro e o que é falso, o que é útil e o que é desnecessário. O Estudo Avançado de Filosofia, como proposto na T.H., leva em consideração sábios e filósofos, homens aparentemente comuns, simples, e Avatares. Nada pode ser desperdiçado; nenhuma lição pode ser perdida; nenhuma gota desse remédio amargo, porém eficaz, pode ser derramada. Nossa sala de aula é a Vida; nossa enfermaria é a Existência.  

terça-feira, 22 de abril de 2014

A EXPERIÊNCIA DA T.H.



Capítulo I

A SEMENTE



- Meu filho, o que você faz aí, deitado nessa cama? Vá brincar com os seus coleguinhas!,  foi assim que minha mãe me despertou do meu "sono acordado".

Por volta dos meus dez anos de idade, era muito comum eu me isolar, para viajar num mundo só meu, que ninguém mais via. Por lá, eu via coisas que neste mundo aqui não havia; lá, eu aprendia muito mais do que por aqui. Foi num momento assim que minha mãe me apanhou deitado em sua cama, geralmente com as pernas pendendo para fora dela. Era meu jeito de “sonhar” ali. Minha mãe não conseguia entender aquilo: como é que eu não estava brincando, como os outros garotos da minha idade? Eu também não sabia por quê.

Anos mais tarde, descobri que provavelmente havia muitas outras crianças que “perdiam o olhar dentro do nada”, como se buscassem um mundo onde todas as respostas podiam ser encontradas. Como pude ver nesse depoimento de Fred Alan Wolf (físico americano especializado em Física Quântica), no livro “Quem somos nós?”:

“A pergunta realmente é: o que Deus está fazendo para construir um universo? [...] Meu interesse sempre foi pela magia como uma forma de abordar o que eu pensava ser uma coisa muito miraculosa. Basicamente, por que estamos aqui? O que está acontecendo? Mesmo quando criança eu fazia essas perguntas.”

Eu era muito taciturno em casa, mas na escola, eu era muito divertido. Gostava de estudar, gostava do ambiente escolar, dos colegas, dos professores. Fui assim por um bom tempo, até que algo aconteceu.
Naquele dia, o primeiro horário era de matemática, com o professor Mesquita. Eu, como sempre, sentado em uma das carteiras da frente da sala, para não perder nada da aula. Mas já se haviam passado quase 30 minutos e eu não dera “um pio”, nenhuma palavra, nenhum gracejo. O professor Mesquita estranhou.

- O que é que está havendo? Você está tão quieto, não falou nada até agora!, observou o professor.

- Nada, não! – respondi evasivo, mas ele insistiu:

- Nada, não, você não é assim. O que foi que aconteceu?

- Minha mãe morreu!, disparei apenas sério, sem esboçar qualquer expressão de dor ou tristeza.

A turma toda entrou em comoção, embora alguns ainda esperassem que tudo não passasse apenas de mais uma das minhas brincadeiras. O professor quebrou o silêncio e perguntou com ar de aborrecimento.
- Você está brincando? Não brinque com essas coisas!, sentenciou.

- Não estou brincando, Ela morreu mesmo!

Isso foi suficiente para a aula terminar. O professor Mesquita foi até a diretoria comunicar o fato. A diretora veio de lá, não para me dar os pêsames ou coisa assim – ela veio para me dar um “carão”.
- Como é que sua mãe falece e você não comunica a escola e ainda vem para a sala de aula?, detonou.
- Eu não sabia que tinha que comunicar. Desculpe!, falei com sinceridade.

- Vá para sua casa imediatamente!, disse a diretora para mim, e voltando-se para a turma, concluiu: Não haverá mais aulas hoje, podem ir para casa. A mãe do colega de vocês faleceu!

Eu voltei para casa, onde todos estavam tristes pela morte de mamãe. Eu também estava, mas, estranhamente, eu não aparentava nada; fiquei apenas sentado no muro lá de fora. Até que um amigo, vizinho nosso, se aproximou para dar os pêsames. Então, me vieram as primeiras lágrimas, e quase não pararam mais.

Naquela época, eu tinha apenas 17 anos e o mundo ficou grande e vazio demais. Achei que aquele dia jamais ia acabar. Identifiquei eternidade e tristeza como sendo a mesma coisa – um sem-fim de tudo, de tudo o que não fazia mais sentido. Mas isso só durou algum tempo. A vida sempre acha um jeito de nos cativar outra vez. E ela também achou comigo.

No entanto, nada mais foi como era antes. Eu já não estava mais disposto a apenas aceitar o que me diziam, não importava qual fosse a autoridade. Eu não aceitava mais as respostas prontas, as explicações que nada explicavam. Eu, dali em diante, faria as minhas próprias perguntas e iria atrás das respostas que realmente me convencessem, que fossem plausíveis e não mero jogo de palavras. Acho que a semente de tudo isso – de tudo que relatar aqui – brotou naquele momento, em minha vida. Dali em diante, eu criaria a minha própria “filosofia” – eu desenvolvi a minha “terapia do viver”.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A FILOSOFIA PRÁTICA DO NOSSO FUNDADOR

BATE-PAPO COM O PROF. JAYA HARI DAS (1 ª PARTE)


Há pelo menos uma década e meia, o Prof. Jaya Hari Das vem atuando em várias áreas profissionais e trabalhando com afinco para fazer da (sua) Filosofia uma atividade prática, útil à vida cotidiana.

Ainda na década de 1980, ele enveredou pelo caminho da busca interior. Em 1983, tendo conhecido o Movimento Hare Krishna, passou a ser um seguidor (bhakta), começando ali a prática da Meditação, do Bhakti Yoga e do Mantra Yoga, o que teria contribuído muito para o seu auto-conhecimento. Quase concomitantemente, filiou-se à Ordem Rosacruz (AMORC), passando a fazer estudos mais aprofundados dos assuntos esotéricos e místicos, através das monografias que recebia semanalmente. Enfim, tudo isso, além de outros estudos e práticas que já fazia, completaram um arcabouço de conhecimento com o qual viu-se pronto para sistematizar sua própria filosofia – a Terapia Hari.


O Prof. Jaya Hari Das é, sem sombra de dúvidas, o filósofo maranhense mais ativo dos últimos anos. Seu trabalho não se restringe à área da Filosofia – ele leciona Língua Inglesa há quase trinta anos; seus artigos em Filosofia e Espiritualidade podem ser facilmente encontrados, nas bancas de todo o país, em pelo menos duas revistas de diferentes editoras nacionais. Por quatro vezes foi capa de revista pela Editora Escala, com os artigos “A Vida é bela em Schopenhauer” (muito elogiada por leitores e até por seu editor), “Immanuel Kant, um divisor de águas” (que já foi utilizado até em sala de aula, como texto de consulta para matéria de prova), “A Intuição de Bergson” (no qual valoriza essa capacidade humana – a intuição – como sendo uma grande via para o real conhecimento, desde os primeiros filósofos) e “Nietzsche: A Tragédia Grega no Palco da Vida” (artigo em que relaciona a vida do filósofo com a própria tragédia grega, que ele tanto admirava).

            Além de filósofo e professor, também é músico e poeta. Conquistou o 3º Lugar do Júri Técnico com “Sem eira nem beira”, no 23º Festival Maranhense de Poesia, e está com um livro pronto para ser publicado cujo título é “Poemas que Nietzsche jamais escreveu – Filosofia Poética”.

É por essa razão que nós, do MOFICUSHINTH (Movimento Filosófico “Cura do Ser Humano Integral” – Terapia Hari), criado por ele, resolvemos apresentar o trabalho filosófico do nosso fundador (que já foi apresentado nacionalmente pela Mythos Editora, na revista Grandes Temas do Conhecimento – Filosofia Nº07), através de um “bate-papo”, que facilitará a compreensão dos ensinamentos da T.H. e de suas práticas na vida diária dos praticantes, assim como de outros assuntos, como religião, religiosidade, pecado, karma e Dharma.





MOFICUSHINTH: Por que o sr. resolveu chamar de “terapia” o seu método filosófico?
JHD: Srila Prabhupada (fundador do Movimento Hare Krishna) constantemente nos lembrava das 4 misérias existenciais: nascimento, doença, velhice e morte, baseado nos ensinamentos de Krishna, apresentados no Bhagavad Gita; Buda procurou mostrar aos homens a fonte dos seus sofrimentos e como livrar-se deles; Jesus aceitou uma morte envolta em sofrimentos para “carregar sobre si as nossas dores” (na verdade, o Karma Coletivo), e a própria Bíblia sentencia o homem como “pecador” e “culpado pelos males” de sua existência. Daí, percebi que em tudo isso há um único elo comum: uma doença congênita, hereditária por assim dizer, que na verdade é o condicionamento existencial, ou seja, a aceitação de que, em vez de sermos Atmans (partes e parcelas do Ser Supremo), somos apenas os Jivas (dublês ou personagens dos Atmans). Por conseguinte, deveríamos passar por um “tratamento” que nos levasse ao “auto-conhecimento” (a cura existencial), que nos conduzisse física, mental e espiritualmente à nossa “Posição Original”. Eis o porquê de chamar-se “terapia”.

MOFICUSHINTH: De que maneira esse “tratamento” pode ser feito?
JHD: Primeiramente, o proponente a paciente da T.H. deve buscar conosco as razões ou fundamentos dessa “doença existencial”, para que, compreendendo corretamente o que é “condicionamento existencial” e o que é “Posição Original”, seja capaz de realizar a necessidade de se “reidentificar com o Atman”. Em segundo lugar, esse paciente submete-se à “terapia”, comprometendo-se a praticar os exercícios recomendados por seu Terapeuta Hari, além de seguir estudando a própria filosofia, que é a T.H.

MOFICUSHINTH: O sr. considera que existam certas dificuldades de aceitação desses ensinamentos da T.H. ou em praticar a “terapia”?
JHD: Sim! Como tudo o que é novo e que rompe com o tradicional (principalmente, no tocante ao tradicionalmente religioso), a filosofia e as práticas da T.H. encontrarão em certas pessoas resistência em aceitar, digamos, “novas verdades”. Muito do que é pregado pelas religiões institucionais é negado, ou mesmo combatido pela T.H.; na verdade, consideramos a Religião em si um “mal já desnecessário”. O homem dito “primitivo” tinha necessidade de religião (isto é, práticas ritualísticas que fossem conduzidas e orientadas por alguém entre eles que tivesse certa “sensibilidade” ou dons), e foi essa necessidade que fez surgir o sacerdote, o curandeiro, o feiticeiro, o padre ou pastor. No entanto, a evolução do conhecimento humano, a própria trajetória da existência humana não deixa dúvidas de que nossa necessidade é de “espiritualidade” e não de “vínculo religioso a uma instituição ou fé”. Há naturalmente no homem uma necessidade de “religiosidade”, mas isso não faz dele um “aleijado” ou “cego” que precise de “uma muleta” ou de “um guia”, para que viva digna e plenamente no mundo. Hoje, qualquer tipo de sacerdote (isto é, o zelador da religião e seu beneficiário) é completamente desnecessário, pois, se ainda não estamos, deveríamos estar aptos a “caminhar com as próprias pernas”. Já não somos mais “crianças” – os homens precisam assumir sua maioridade. Com essas últimas palavras, citamos indiretamente dois grandes filósofos: Auguste Comte, o pai do Positivismo, e Immanuel Kant que, como digo em meu artigo, foi um divisor de águas na Filosofia.

MOFICUSHINTH: Aproveitando essa “deixa” sobre os filósofos, fale-nos sobre como a sua filosofia se relaciona com a Filosofia dos grandes filósofos do Ocidente e do Oriente (os chamados sábios).
JHD: É muito simples! Todos os grandes filósofos ou sábios procuraram entender os grandes problemas existenciais e o próprio Universo em torno do homem. Tudo o que eles “descobriram” certamente é de grande utilidade para qualquer ser humano. E digo mais: deve ser não apenas compreendido e aceito, como também praticado. A função precípua da Filosofia, assim como de qualquer conhecimento comprovado, é instrumentalizar o ser humano em sua jornada existencial, de modo que ele viva com a maior plenitude possível a sua encarnação ou existência. A T.H. é o exemplo máximo da efetivação dessa “função da Filosofia”, por isso sua prática deve ser cotidiana, constante e definitiva. O que descobriram e ensinaram Platão e Nietzsche, Lao-Tsé e Confúcio, podem ser (e são) úteis na resolução ou compreensão de muitos casos encontrados nos “dramas existenciais” (as lilas).

MOFICUSHINTH: O que são os “Avatares” e qual seu real papel dentro do curso da História humana?
JHD: Bem, primeiramente, gostaria de esclarecer que a veneração dos Avatares, por parte da turba ignorante, e o oportunismo dos guardiões das religiões institucionais levaram a uma noção errôneo do que é o Avatar e de sua real função na Existência. Foi ensinado que o Avatar seria “a encarnação de Deus ou de um deus”. Ou seja: Deus, ou um dos supostos deuses, eventualmente desceria ao mundo para uma “interferência” nos caminhos da Humanidade. Isto, para nós, é o maior dos absurdos. Um verdadeiro disparate que incansavelmente vamos rechaçar e combater. Para nós, o Avatar representa “o coroamento” do Jiva, ou seja, a aquisição de um “veículo existencial quase perfeito”, capaz de permitir a plena expressão dessa “realização”. Na posição de Avatar, o Jiva passa a ser chamado de Jivatman (Jiva reidentificado com o Atman), uma vez que livrou-se do “condicionamento existencial” e retomou sua “Posição Original”. Nessa nova situação, o Jiva já não está sujeito ao Karma, o que significa dizer que não possui créditos ou débitos existenciais a receber ou a pagar, respectivamente. A partir daí, o Jivatman vive segundo o Dharma (A Lei dos Deveres Supremos) e pode voluntariamente escolher como agir na Existência: se quer favorecer a Humanidade com “atos não-condicionados” (chamados de “milagres”), ou se quer aliviar o karma negativo coletivo da Humanidade, como fez Jesus, por exemplo.

MOFICUSHINTH: Para encerrarmos esta 1ª seção do nosso “bate-papo”, gostaríamos que o sr. resumisse em poucas palavras o que realmente é a Terapia Hari.
JHD: A T.H. é a cura integral e definitiva da doença existencial do homem – o condicionamento existencial. Por isso, não hesito em dizer que a T.H é “a maior revolução humana”, sem precedentes na História, porque sua prática conduz o Jiva à reidenticação com o Atman, recolocando-o em sua “Posição Original”.

MOFICUSHINTH: Este “bate-papo” com o Prof. Jaya Hari Das continua na próxima seção, até lá! 



NOTA DO MOFICUSHINTH: Para saber mais sobre este Movimento, a T.H. e receber esclarecimentos sobre termos, como Jiva, Atman e Lila, escreva para moficushinth@yahoo.com.br, coloque como "assunto" "SABER DA TH", para evitar que sua mensagem seja excluída como "spam". Obrigado!  






quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A E.N.D. E A FÍSICA QUÂNTICA

A E.N.D E A FÍSICA QUÂNTICA



O Universo sempre intrigou o homem. Não só em seus aspectos externos, visíveis, embora fantásticos e deslumbrantes, mas também em seu mecanismo mais íntimo, interno e aparentemente secreto. Isso mesmo! – sempre houve no ser humano um fascínio pelos mistérios. No entanto, essa obstinação em “conhecer o desconhecido” e se apoderar de seus segredos e de sua exuberância levou o homem a desenvolver ciências, formas de conhecer, cada vez mais sofisticadas e precisas. Assim, ao longo da História da Humanidade, dentre as muitas ciências criadas de lá para cá, a Física evoluiu significativamente, recebendo certos rótulos, conforme sua época, objetivo e modus operandi, como por exemplo, Física Clássica ou Quântica. A Física Quântica, embora mais recente e mais sofisticada do que a Clássica, não pode prescindir desta nem das demais, uma vez que cada uma delas foi (ou ainda é) um dos “degraus” de que se utilizou para chegar aonde chegou. Porém, sem contradito, a Física Quântica é, até o presente momento, a excelência na forma de conhecer e observar tudo o que o Universo nos revela sem restrições, tanto quanto aquilo que ele parece “querer esconder” de nós.
Ramana Maharshi

Com a Física Quântica o homem, apesar de avançar consideravelmente em conhecimento, curiosamente também retorna ao velho conceito de Natureza/Universo dos antigos gregos – Physis; além de também ir em direção às noções encontradas nas antigas tradições religiosas, como as do hinduísmo e do budismo, por exemplo. O sábio indiano Ramana Maharshi declarou que o caminho da Iluminação pode ser encontrado na resposta para a pergunta “Quem sou eu?”, e o físico americano Niels Bohr ocupou-se com a pergunta “como é possível a um elétron ir de A a B sem jamais passar entre esses dois pontos?”. Questões que parecem nada ter a ver em comum, até porque originam-se de tradições diferentes, uma oriental, a outra ocidental, uma espiritual, a outra científica, na verdade, por assim dizer, esbarram nos corredores da Física Quântica, tanto quanto nas esquinas de Nova Délhi ou de Nova York. 

Niels Bohr
sumérios
Os sumérios, a mais antiga civilização de que se tem notícia (aproximadamente 3.800 a.C.) consideravam iguais os esforços de compreender tanto o mundo externo, físico, quanto o mundo interno, espiritual. Agora, como se fosse uma nova espécie de “metafísica” – só que de cientistas sérios e não de filósofos sonhadores – a Física Quântica explora e ousa tecer considerações cada vez mais precisas e plausíveis sobre o que é a consciência, onde ela se localiza, como age e até que ponto cria ou ajuda a construir o que chamamos de realidade; o que é o homem, se tem uma essência transcendental ou é apenas uma “máquina com personalidade”, se tem domínio sobre sua vontade e seu destino ou está meramente sujeito às forças exteriores da Existência que, como marionetes, executam o necessário exigido por ela e não o que é realmente seu desejo e sua necessidade particular.

o domínio da ciência
Como vemos, o papel da Física Quântica é ousado e bastante amplo, além de incerto e desafiador. Homens sérios, como já disse, não medem esforços para ir cada vez mais longe nessa espécie de conhecimento e não hesitam em afirmar coisas que a muitos ouvidos e mentes soam como improváveis e até absurdas, mas que provocam em outros um incrível sentimento de aceitação e compreensão capaz de realizar verdadeiros “milagres” em suas vidas, quando aplicados com determinação e fervor, de tal maneira que toda a comunidade científica se rende extasiada a essas novíssimas verdades, quando, outrora, seria reação comum rechaçá-las sem aviso prévio ou delongas.
Papa Francisco

Não só a Religião tem seus “dogmas”, a Ciência também os tem. E que ninguém se engane – é tão difícil superar aqueles quanto estes. Felizmente, a existência humana não é feita só de teimosos e covardes, embotados e submissos; ela também é composta de homens obstinados e corajosos, de mentes abertas e de espíritos livres. E são exatamente estes que fazem a diferença quando fazemos a conta dos prós e contras da vida. Embora, na Era Medieval, ser cientista ou filósofo valia a alcunha e o destino de bruxo, segundo os inescrupulosos critérios da Igreja, e muito embora, no século 17, o pensamento mecanicista de Descartes tenha dominado a comunidade científica, ainda assim excelsos exemplares humanos conseguiram romper essas “amarras” e envolver com sua aura aventureira outros homens que, percebendo a inevitável força e coerência de suas ideias, fizeram-se também arautos de novas verdades. Quando Isaac Newton associou dois eventos tão díspares quanto a queda de uma maçã e o movimento de um planeta, embora ainda entro dos liames da física mecanicista, ali mesmo ele estabeleceu não só a noção da lei da gravidade, como ficou conhecida, mas também de uma “força” gerada no seio do Universo, mantenedora de um equilíbrio real e necessário. A partir daí, mais importante do que saber “quem ditou ou criou tal lei” é descobrir como ela atua, de que forma ela foi ativada.

Isaac Newton
Termos como “força” e “energia” são muito usados nos compêndios e nos meios acadêmicos e científicos, mas também remontam aos ensinamentos dos antigos sábios do Oriente, ao se referirem aos fenômenos incomuns aos homens comuns, tão demasiadamente apegados ao que é palpável, visível e inquestionavelmente óbvio. Sem saber quem é o dono ou agente dessa força ou quem teria produzido tal energia, o homem comum, não encontrando na lógica, na razão, explicações para certos fenômenos, queda-se estupefato diante desses eventos inusitados e, desamparado, acaba por dar-lhes o nome de “milagres”. Pelo que se entende, a partir das explicações religiosas, milagres são intervenções divinas na trajetória normal da vida de uma pessoa em particular ou da existência, como um todo. Ou seja, Deus, ou um de seus interventores – anjos, santos, avatares e etc –, por sua graça ou por merecimento de uma pessoa ou mais, de tempos em tempos, intromete-se no curso natural da História do mundo e dos homens, seja para "corrigir" o que o desagrada, seja para atender as preces de uma pobre criatura sua.

Cristo sobre as águas
A E.N.D. – Energia Nervosa Dirigida –, expressão com a qual designo a força provinda de uma vontade humana objetiva de realizar algo, que pode muito bem ser comparada ao que chamamos, aqui no Ocidente, de “força de vontade”, e que, na tradição hindu, é denominada “sankalpa shakti” faz parte dos ensinamentos e práticas da Terapia Hari, sistematizada e desenvolvida também por mim. O princípio dessa força ou energia não é o Atman – nossa verdadeira identidade e essência –, e sim o Jiva, uma vez que é este que “deseja realizar algo”, por necessidade ou por capricho, pouco importa. No entanto, embora pareça paradoxal, essa energia tem sua origem no Atman, isto é, é nele que o Jiva (reidentificado, é claro) “se inspira” para “realizar” seu intento. Explicando de outra forma, é assim: Atman não tem caprichos ou necessidades, pois se os tivesse não seria “completo e perfeito”, mas Jiva os tem, pois luta na Existência por melhores condições. Depois de reidentificado (ciente de que sua essência é Atman e de que não passa de um “dublê” que recebeu uma personalidade, atributos e veículos existenciais), o Jiva pode lançar mão dessa energia, dirigindo-a para determinado alvo, bastando para tanto não estabelecer conflitos entre a realidade que e a realidade que deseja ver e jamais considerar os aparentes obstáculos, ainda que corroborados pela razão ou pela lógica, como sendo intransponíveis. É com essa energia que o Avatar  Jesus conseguiu, entre outras coisas, caminhar sobre as águas do mar e em certas passagens bíblicas lemos: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua Justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” ( Mateus 6:33) e “As obras que eu faço, ele também fará; e as fará maiores do que essas” (João 1412). Deixando de lado as concepções religiosas, o que está dito aí é “Primeiro, é necessário reidentificar-se com Atman, e tudo será possível!”, ou ainda: “Aquilo que é possível ao Atman, só é conhecido quando o Jiva realiza!”. 
Andar sobre brasas

Essa relação entre o que a nossa razão vai chamar de “dois mundos” – o físico e o espiritual (que Platão denominou “mundo sensível” e “mundo das ideias”) –, fica cada dia mais plausível com os avanços da Física Quântica que, além de ter respaldo científico, ainda encontra ressonância nas grandes tradições antigas de várias civilizações, que em épocas remotas não contavam com instrumentos tecnológicos, como os de hoje, nem com avanços científicos, que só viriam séculos mais tarde, porém, participaram efetivamente dos eventos “reais” daqueles povos. Sabe-se que pessoas comuns são capazes de caminhar descalças sobre brasas sem sofrer qualquer queimadura nos pés, enquanto outras, que tentam fazer o mesmo, considerando que brasas queimam e que, portanto, correm o risco de se queimarem, inevitavelmente têm seus pés queimados gravemente.

Isaac Asimov
O que digo aqui de forma nenhuma deve levar o leitor a conclusões precipitadas de que “então, qualquer um pode bancar Deus!”, muito menos devem “os céticos de carteirinha” fazer pilhéria com meu nome ou com tais ideias que, em verdade, não são minhas, como demonstram os relatos que fiz até aqui. Antes, devem todos eles lembrar que ideias tidas como “loucas” ou “absurdas” no passado, hoje são aceitas não só nos meios científicos e acadêmicos, mas também na vida cotidiana, sendo ensinadas em qualquer escola de ensino fundamental. Exemplos simples disso são os “absurdos da ficção científica”, os delírios de Isaak Asimov e Júlio Verne, que desafiaram a Ciência e a Tecnologia, levando-as a tornarem aqueles artefatos e maquinários improváveis uma realidade. Se ainda há pessoas que não acreditam de forma alguma que o homem pisou na lua, também há aquelas que crêem e trabalham incessantemente para ver o homem conquistar outros planetas, como Marte, e lá habitar. O fato é que não há limites para as realizações humanas, a não ser aquelas que o próprio se impuser.
Júlio Verne

A E.N.D. é ensinada dentro da T.H. mas não está isolada dos demais ensinamentos. Ou seja, ninguém é capaz de grandes e inusitadas realizações apenas se reconhecendo como uma personalidade, um ego, um ser limitado e lógico ao extremo. Não é uma questão apenas de fé, em seu sentido religioso; é uma questão prioritariamente de compreensão e de paixão. Essa compreensão escapa à lógica e se utiliza da intuição (a sabedoria primeva, direta, imediata) e essa paixão é o amor incondicional, o comprometimento desmedido com a própria Vida – sem Deus ou deuses, sem intervenções divinas, sem mistérios intransponíveis, sem dogmas, culpas ou pecados...

Amit Goswami
Há muito trabalho a fazer antes de sair por aí “bancando ou brincando de Deus”. Evidentemente, a E.N.D. passa pela questão da “consciência” – ou melhor ainda, de “autoconsciência”. Não adianta ler todos os dias escrituras consideradas sagradas, repetir mantras mágicos a todo momento ou saber de cor versículos, como: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á (Mateus 7:8). Quem tem a consciência pequena de que é essa personalidade, esse ego, vai cansar de bater, mas nem por isso a porta se abrirá. Isso não tem nada a ver com ele ser merecedor ou não – ele simplesmente não é conhecedor, ele não conhece nem “compreende”. Amit Goswami declara: “E preciso ter vontade e paixão para ultrapassar a própria zona de conforto e superar a necessidade de ser como os outros. Contudo, fazer isso sem o conhecimento adequado é insanidade. Se for feito com o conhecimento adequado [...], é considerado genialidade”. Conquistar os processos, os elementos imbricados no domínio da prática da E.N.D. vai além de sentar-se de certo modo num local silencioso, ouvir uma música relaxante, queimar incensos e repetir palavras ou nomes considerados sagrados – é preciso um esforço mais sincero e objetivo e um conhecimento maior e exequível.

Quem quer ser um alucinado, alguém que acredita e vê acontecimentos que, para qualquer outra pessoa, pareceriam tão fora da realidade que provavelmente deixariam qualquer um maluco? Se você for um desses, então você é “um louco”... ou, então, é um praticante da Terapia Hari.