terça-feira, 30 de abril de 2013

ENTREVISTA COM O PROF. JAYA HARI DAS


FILOSOFIA, EDUCAÇÃO, POLÍTICA E CONFLITOS MUNDIAIS
  



O nosso entrevistado de hoje é Jaya Hari Das, 48 anos, professor de Filosofia, com graduação pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, professor de Língua Inglesa, com mais de 25 anos de experiência, com certificação das Escolas Fisk.  Desde 2006, o prof. Jaya escreve artigos para revistas de Filosofia e Espiritualidade, e por duas vezes foi matéria de capa, com “A vida é bela em Schopenhauer” e “Immanuel Kant – Um divisor de águas”, na revista Conhecimento Prático – Filosofia, da Ed. Escala. Na conceituada revista “Planeta”, da Editora Três, emplacou o artigo “Agir ou não agir – eis a questão”, e para a Mythos Editora, além de vários artigos em duas revistas, “Grandes Temas do Conhecimento – Filosofia” e “Sexto Sentido”, concedeu duas entrevistas, uma já publicada, que tratava sobre a possibilidade de vida inteligente fora da Terra e outra, sobre o filósofo Kant, que será publicada em breve. Atualmente, o Prof. Jaya trabalha no Programa Maranhão Profissional, Etapa Pré-vestibular, do Governo do Estado do Maranhão, pela VAT/Escola Multimeios/UNIVIMA, e também é o diretor do MOFICUSHINTH (Movimento Filosófico “Cura do Ser Humano Integral” – Terapia Hari*). Somando-se a tudo isso, ele também é músico (violonista), intérprete, compositor e poeta. Em 2010, conquistou o 3º Lugar (Júri Técnico), no 23º Festival Maranhense de Poesia, com “Sem eira nem beira”.
Começamos perguntando como lhe veio a ideia da Terapia Hari:

JHD: Baseado em minhas experiências pessoais e acadêmicas comecei a sistematizar minha própria filosofia, a Terapia Hari, a partir de 2000. O plano piloto era desenvolver uma prática filosófica cotidiana, com base na Filosofia ocidental e na Sabedoria oriental. A idéia de criar essa filosofia não aconteceu da noite para o dia, ela está ligada a minha própria história de vida, como integrante do Movimento Hare Krishna, na década de 1980, membro da Ordem Rosacruz e estudioso de Filosofia, Ocultismo, Religiões comparadas, etc.

BLOG: O que vem a ser a Terapia Hari?
JHD: A T.H. é um método psicofilosófico que desenvolvi, que alia conhecimentos da Filosofia Ocidental e da Sabedoria Oriental e emprega práticas mistas de psicologia, filosofia, yoga e arteterapia, além de outras que se façam úteis ou imprescindíveis no decorrer do tratamento. A T.H. é uma terapia complementar, portanto, não substitui, nem está em conflito com a Medicina Tradicional ou com outras Terapias Alternativas.

BLOG: Como a T.H. atua no paciente, de maneira a ele/ela sentir que está sendo tratado realmente?
JHD: A T.H*, por ser uma “therapéia”, isto é, uma autoterapia, sua eficiência se dá a médio e longo prazos, sendo, portanto, imprópria para casos emergenciais ou urgentes, pois aquele mesmo que “sofre” tem que ser o que “cura”. Ela não trata enfermidades, deformações físicas ou distúrbios neurológicos irreversíveis; ela não cura enfermos, não prodigaliza a saúde nem rechaça a doença. Na verdade, ela auxilia os canais energéticos sutis, os chakras, a restabelecerem o equilíbrio do “jiva”, a pessoa humana.

BLOG: A T.H. pode, de alguma forma, ser considerada uma “religião”, por exemplo?
JHD: A T.H* não preconiza a prática, nem se utiliza de benzeduras, preces, rezas, orações, imposição de mãos, penitências, abstinência ou uso de qualquer tipo de droga lícita ou ilícita, nem faz apologia a qualquer tipo de ritual, magia ou crença religiosa, propagandeada ou não por ‘Religiões Institucionalizadas’ ou pela ‘Tradição’. Aqueles que se utilizam de seus procedimentos terapêuticos são “pacientes”, jamais “seguidores”, embora ela seja uma filosofia prática, que deve fazer parte da vida cotidiana desses pacientes.

BLOG: É possível dizer que a T.H. é contra-indicada para alguma pessoa ou pode causar algum tipo de “mal”, como, por exemplo, agravar o estado de saúde de um paciente com determinada doença ou problema?
JHD: Absolutamente, não! Recomenda-se apenas que o paciente T.H. já tenha pleno domínio sobre si mesmo, ou seja, saiba decidir-se por usar a Terapia e queira fazê-lo. Crianças, menores de 12 anos, podem ser pacientes da T.H. somente com a autorização do pai ou da mãe, ou de um responsável direto. Nenhum problema, ou enfermidade, será agravado pelo tratamento da T.H. Muito pelo contrário, haverá sempre um avanço no bem-estar do paciente.

BLOG: Mudando de assunto, como o sr. vê a Filosofia na atualidade, tanto no âmbito geral quanto no restrito – aqui em São Luís, por exemplo?
JHD: É inegável que os grandes expoentes da Filosofia já estão todos mapeados, ou seja, são grandes homens anteriores à contemporaneidade, embora haja alguns poucos filósofos, aqui e ali,  que, espelhados neles, venham a se destacar. Portanto, a Filosofia hoje, de forma geral, é uma prática aplicada às questões atuais, sob a égide do legado dos grandes pensadores. Quanto ao campo restrito, São Luís parece estar ligada a questões muito pequenas e provincianas, isto é, ela ainda não é um solo fértil para a Filosofia. Os que lidam aqui com a Filosofia são somente professores da disciplina e não estimuladores de problemáticas socioculturais e filosóficas.

BLOG: No seu caso, além de professor, o que há que o identifique como “um filósofo”?
JHD: Bem, acima de tudo, o reconhecimento de que não é uma graduação que me fez ou faz filósofo. Assim como o poeta é poeta porque sabe fazer poesia, similarmente, ser filósofo é algo intrínseco ao “ser”, que independe do respaldo de instituições. Portanto, embora eu seja um professor, com formação acadêmica, sou filósofo por vocação, e pretendo deixar um legado filosófico a partir dos meus escritos, entre eles, dois livros que, em breve, serão publicados.

BLOG: Fale um pouco de seu trabalho como escritor.
JHD: Escrever no papel é importante, mesmo hoje quando há tantos recursos para deixar registradas suas ideias em meios eletrônicos, na Internet, etc. Meus artigos ajudam a deixar registrado o tipo de pensamento que tenho sobre alguns filósofos e esses dois livros de que falei têm propósitos diferentes: o primeiro, “Poemas que Nietzsche jamais escreveu – Filosofia poética” é um apanhado dos escritos de Nietzsche, reescritos como poemas; o outro, “O Governante das Estrelas – Da materialidade do eterno”, é um livro com o qual pretendo inscrever meu nome entre os grandes filósofos de todos os tempos, pois nele está o que chamo de “minha própria filosofia”, pois ele traz o que chamaria de “uma metafísica prática”, uma filosofia que não se resume a um conhecimento teórico, e sim, uma ação consciente e cotidiana.

BLOG: Fale-nos da sua palestra “A Tansvaloração da Educação – Uma perspectiva nietzschiana”.
JHD: Essa palestra nasceu de um artigo que escrevi para a Editora Escala, e que também fará parte de um livro que será publicado pelo editor da revista Conhecimento Prático Filosofia, Daniel Rodrigues Aurélio. A palestra foi ministrada na Faculdade FAMA/Pitágoras e trata duma questão que já preocupava o filósofo alemão e é um dos maiores problemas do Brasil – os valores agregados à Educação e o modelo educacional vigente. Tratada com descaso pelos vários governos, ao longo das últimas décadas, a Educação acabou por assumir, como sendo dela, problemas que pertencem ao seu entorno, embora sejam problemas estruturais das escolas e econômicos dos profissionais da educação. A palestra é um alerta a esse absurdo, que não é muito visível a estudantes e educadores, porquanto são vítimas, eu diria, “fatais” desse descaso governamental, em todas as suas esferas.

BLOG: Para terminar, como o sr. vê o mundo atual, diante desses conflitos internacionais, com rumores de guerra, o terrorismo nos EUA, a crise econômica na Europa e a violência aqui no Brasil?
JHD: Ao que parece teremos que ter outra entrevista (risos). Bem, o mundo atual eu vejo como um caldeirão, um vulcão, que mais cedo ou mais tarde vai explodir. Não quero parecer aqui um pessimista ou fatalista, mas costumo lembrar as pessoas de que a História não mente – já estamos mais que na hora de uma “boa guerra”; não dessas guerras pontuais, que aos olhos do resto do mundo, sobretudo da ONU e dos EUA, são meras brigas de vizinhos rabugentos. Creio que daqui a pouco tempo virá uma guerra de grandes proporções, uma guerra inevitável. O terrorismo, que se traduz na insatisfação de povos árabes, islâmicos, com o domínio ocidental, americano, e a crise econômica europeia, que está sendo maquiada para não parecer grave demais, são potenciais fatores para essa guerra. Quanto à violência aqui no Brasil, ela é o fruto maduro do descaso com a Educação, de que acabei de falar, somada a uma política oportunista, corrupta, fundada em grupos com certos interesses, quase sempre escusos e prejudiciais a toda a sociedade brasileira. Em resumo, embora seja desanimador dizê-lo: o que vemos, tanto aqui como mundo afora, é a mera reação de forças perigosamente enriquecidas com urânio, que se insinuam agora prontas para causar uma explosão descomunal. Isso não será “o fim” – deixará grandes estragos, mas, provavelmente, reposicionará a humanidade, de forma geral.

BLOG: Muito obrigado, professor, por sua entrevista!
JHD: Eu que agradeço e estarei, sempre que possível, à disposição de vocês!      

segunda-feira, 18 de março de 2013

FILOSOFIA E A ARTE DE CUIDAR


CUIDANDO DA VIDA FILOSOFICAMENTE


Em seu artigo A Época da Imagem do Mundo, Heidegger nos diz: “A Filosofia é reflexão. E reflexão é a coragem de tornar o axioma de nossas verdades e o âmbito de nossos fins em coisas que, sobretudo, são dignas de serem chamadas em questão”.

A Filosofia, então, nos faz rever nossas verdades, nossas crenças, nossos preconceitos, nossos valores e projetos. Isto é, ela nos faz pensar. Quando pensamos, transformamos nossas crenças e, consequentemente, transformamos nosso jeito de viver.

Terapia é uma palavra que quer dizer ‘assistir’, ‘cuidar’, ‘tratar’ ou ‘velar’ pelo ser. Este significado, que se mantém também em hebraico, indicava a atividade dos primeiros terapeutas. Intérpretes das Escrituras, eles tinham as questões espirituais como seu “objeto de cuidado”. O uso do termo terapia teve como primeira finalidade distinguir os cuidados espirituais, dos cuidados do corpo, realizados pela Medicina.

Na qualidade de intérpretes das Escrituras, os terapeutas eram vistos por Fílon de Alexandria como aqueles indivíduos dotados da ‘arte da interpretação’. Os terapeutas eram aqueles homens que queriam ‘ver com clareza’. Por isso mesmo, eles seriam, antes de tudo, hermeneutas, intérpretes do sentido.

O terapeuta cuida também de sua Ética, isto é, vigia sobre seu desejo, a fim de se ajustar ao fim que fixou para si; este ‘cuidado ético’ pode fazer dele um ser feliz, ‘são’ e simples (não dois, não dividido em si mesmo), isto é, um ‘sábio’ – um terapeuta não cura, ele cuida.

O objeto da terapia é diverso, pois tudo o que cabe no ser, alvo originário da terapia, é indefinível. Cabem as angústias, idiossincrasias, as loucuras, a Ética, os desejos, a felicidade, imagens, pensamentos, palavras. Nenhuma prática ou ciência, assim, detém a propriedade da terapia. Para Fílon de Alexandria, o terapeuta tem por propósito compreender com clareza o ser, interpretar seu sentido, empreender uma hermenêutica do ser. Ora, esse também é o propósito que instaura a Filosofia.

Não fazemos nada com a Filosofia – ela é que faz alguma coisa conosco. O pensar filosófico, portanto, tem uma maneira específica de agir. Ele nos mobiliza, nos provoca e convoca para a ação no mundo. São os pensamentos que promovem revoluções e toda transformação da história dos homens.

A Terapia Hari nasceu com essa perspectiva - ir além da simples cura das enfermidades físicas do ser humano - e com esse objetivo foi sistematizada e é praticada na vida cotidiana.

Ћ - Como vemos, uma terapia que não se baseia na Filosofia, ou seja, que não tem por objetivo primeiro e último cuidar do ser, não passa de uma técnica paliativa e sem resultados definitivos. Sua eficácia é momentânea e, enquanto dá alívio imediato aos efeitos, não se ocupa da causa ou causas e mascara o ‘mal’ (a enfermidade do ser) às custas de um corpo aliviado. A T.H* tem seu fundamento na Filosofia (tanto a ocidental, quanto a oriental) e, como uma verdadeira terapia, não ministra placebos nem produz milagres. Há um tempo para cada coisa debaixo do sol. Pense nisso!!!

* Fonte: O texto acima foi inspirado na entrevista da Professora e Filósofa Dulce Critelli, publicada na Revista Filosofia – Ciência & Vida Ano III Nº 31, e contém trechos adaptados dela.

quinta-feira, 14 de março de 2013

TERAPIA HARI - A TERAPIA DEFINITIVA


A VIDA COM "V" MAIÚSCULO

Gostaria de apresentar a você o resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de mais de dez anos, mas que tem por base estudos feitos durante quase toda minha vida (dos 17 anos até aqui). Esta, que também chamo de ‘Terapia Transcendental’, é o fruto maduro que desejo compartilhar, pois me vejo um mensageiro, talvez um tutor, jamais um proprietário ou dono. Espero, sinceramente, que minhas palavras encontrem ressonância nos corações e nas mentes dos que buscam respostas verdadeiras para perguntas sinceras. A estes costumo chamar de “Espíritos Livres”, assim como um dia os denominou um grande filósofo.

Parece-me fundamental iniciarmos falando sobre "o que é a Vida". Isso mesmo! ‘Vida’, com ‘V’ maiúsculo. Para a T.H*, ‘Vida’ é um fluxo incessante, ininterrupto, pulsante, que permeia todas as coisas, todos os seres, toda a Existência. Podem chamá-la de ‘Energia’, como fazem algumas correntes holísticas; podem chamá-la de ‘Vontade cega’, como a chamou o filósofo Schopenhauer, ou ainda ‘Vontade de Potência’, como a denominava Nietzsche. É mesmo difícil descrevê-la, denominá-la, compreendê-la. Às vezes, penso que chegamos tão perto de saber realmente o que a ‘Vida’ é, mas logo percebo que nossa ansiedade, nossa pressa, nosso excesso de racionalidade (talvez, nossa pretensão) nos roubam essa proximidade, essa possibilidade de “saber o que ela realmente é”.

Vida é um termo que abrange uma infinidade de noções: se digo “minha vida”, restrinjo o que é totalidade a uma unidade; se digo “esta vida”, separo o que está aqui do que também está ali... No entanto, segundo a T.H*, devemos considerar que ‘Vida’ é tanto o que manifesta a ‘Existência’, quanto a própria Existência, e ainda o que transcende ou está para além do que se manifesta, do que existe, ou do que se deixa perceber. ‘Vida’ não se restringe a minha existência ou à sua, pois é a totalidade das nossas existências, de todas as existências.

Neste sentido, o termo ‘Vida’, como proposto aqui, muitas vezes se confundirá com o que alguns chamam de ‘Deus’, pois é o Todo; o que  outros chamam de ‘Natureza’, pois é cada ser e o seu entorno; e o que ainda outros chamam de ‘Força Vital’, pois é o que anima e faz vibrar tudo o que existe no Universo..
Como disse linhas acima, Vida é um fluxo incessante e, portanto, está por toda parte e não pode ser contida ou apropriada por ninguém nem por nada. E é exatamente bem aqui que começa a relação entre ‘Vida’ e ‘Terapia Hari*’.

Desde os primórdios da humanidade (ou daquilo que, mais cedo ou mais tarde, um dia há de ser ‘realmente’ a ‘Humanidade’), o homem, observando a Natureza, tenta encontrar uma maneira de ‘manter a vida’, uma forma de preservar sua própria vida, sua existência - ou seja, uma maneira de ser <i>imortal</i>. A despeito de seus meritórios esforços, das tremendas vitórias da Medicina e dos grandes avanços científicos e tecnológicos, qualidade de vida e longevidade, provavelmente, é o melhor que o Ser Humano pode conseguir – mas os sonhos vão além! Viver para sempre – ‘um sonho de imortalidade’!

Pensando nisso, imediatamente me vêm à cabeça algumas interrogações: o que faria um homem com uma vida eterna para usufruir? Seria ele menos inseguro, menos angustiado e mais tranquilo e feliz, nessa condição? Ou sofreria de tremores e calafrios, só pela perspectiva de que nunca deixaria de se confrontar com as mazelas e calamidades existenciais, como o sofrimento, a doença, a saudade, a solidão, que jamais deixariam de conviver ‘eternamente’ com ele? Se um dia a Ciência encontrar um modo de preservar para sempre a vida de um homem, quantos terão acesso a esse tratamento ou medicamento milagroso? Quantas pessoas serão herdeiras desse mundo da imortalidade? Questões tão difíceis de responder, que projetam desafios assustadores para esse sonhado futuro de homens imortais.

Observando a Natureza, percebemos que a morte, a desintegração, o desaparecimento, ou a transformação de um ser em outro ser, de algo em outra coisa, é a regra geral e inexorável dentro dos domínios da Existência – é assim para todas as coisas e seres. Por que, então, nós, seres humanos, pretendemos o privilégio da imortalidade? O rótulo de ‘filhos de Deus’ é prerrogativa suficiente para tanto? Se a resposta for positiva, pergunto ainda: “Então, por que não nascemos com esse direito assegurado naturalmente?”.
O beneplácito da imortalidade para o Homem pode ser lindo como um sonho ou fantasia, mas tal coisa, se realmente se concretizasse, seria, indubitavelmente, uma calamidade para toda a Existência.

A T.H.* não pretende acalentar sonhos ou fomentar utopias. Sua missão é dizer as coisas tais como são, sem dogmas, preconceitos ou ilusões. Há coisas desejáveis e indesejáveis, coisas possíveis e impossíveis, dentro da Existência. Aquilo que for útil para nossa existência, dentro das possibilidades reais apresentadas pela própria Existência, pela Natureza, por Deus (se preferirem), certamente estará, mais cedo ou mais tarde, disponível ao Homem. E isso sim é objeto de interesse desta therapéia (termo grego para uma ciência aplicada, que se constitua de um tratamento que leve em consideração mais do que as meras enfermidades do corpo humano).

Assim, ‘Vida’ independe das transformações existenciais, das categorizações, dos gêneros, das espécies. Apesar de Ela estar no ser vivente, também está em sua morte – ou seja, do outro lado da existência finita do Homem. Não importa se alguém ou algum ser é considerado por nós mais importante, ou mais útil do que outros – a ‘Vida’ permeia e acalenta a todos, indiscriminadamente. Não importa se são machos ou fêmeas, homens ou mulheres – para a ‘Vida’, isso é indiferente. A Vida é a mesma no homem ou no inseto – para a ‘Vida’, tudo o que existe deve existir (a despeito da razão humana, que pretende determinar o que deve e o que não deve ser, dentro de uma perspectiva limitada e egoísta) – A Natureza produz sempre o necessário.
 
Enfim, a T.H* apresenta ‘Vida’ como sendo a força maior, a inteligência maior, a divindade maior, que reina sobre todas as coisas, seres, homens e deuses. Essa é a perspectiva macro da ‘terapêutica transcendental’, mas Ela tem por fundamento o Homem - naquilo que o faz ser um Ser Humano (parte e parcela do Ser Supremo) e reconhece nele a intrínseca relação com essa ‘essência’, que é a própria Vida.

- Conheça mais sobre a Terapia Hari*. Solicite uma visita/entrevista (gratuita e sem compromisso), reúna amigos para uma palestra/bate-papo em sua residência, casa de praia, sítio. Promova uma seção terapêutica para os funcionários de sua empresa. Envie e-mail para terapiahari1@yahoo.com.br e saiba como. Pense nisso!!! ATÉ LÁ!

segunda-feira, 11 de março de 2013

SRILA PRABHUPADA E A TERAPIA HARI


“Nasci na mais obscura ignorância, e meu mestre espiritual abriu meus olhos com o archote do conhecimento. Ofereço-lhe minhas respeitosas reverências.”
Srila Prabhupada ki jay!


Nos anos de 1980, eu estava na faixa etária dos vinte anos e era uma fervoroso buscador da Verdade e de explicações sobre a vida, que o cristianismo, a religião em que nasci, ao meu ver, havia falhado em responder. Naquela época, empreendi estudos nas principais religiões do mundo, assim como em doutrinas e ordens místico-esotéricas, como o ocultismo, o rosacrucianismo e o espiritismo. Era um estudo sério, porém desordenado, pois não havia nenhum critério, a não ser o fato de que adquiria tudo o que via pela frente, em termos de livros ou revistas sobre aqueles assuntos, que meus parcos recursos financeiros podiam comprar, fazendo anotações, aqui e ali, de tudo o que fosse novo e interessante. No entanto, minha busca parecia mais com o revirar de uma montanha de papéis jogados no lixo, tentando achar algo que nem mesmo eu sabia se estava lá. Foi por essa ocasião que caiu em minhas mãos o livreto “Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeitas” – diálogos entre Srila Prabhupada, fundador do Movimento Hare Krishna, e Bob Cohen, um voluntário da paz na Índia.
Isso se deu quando encontrei pela primeira vez os monges Hare Krishna nas ruas de minha cidade natal. Eles eram pessoas incomuns, com vestimentas estranhas para os padrões do Ocidente (imaginem então para uma cidadezinha, provinciana, do nordeste brasileiro), mas eu já tinha visto fotos de pessoas da Índia com aquelas vestimentas e aquele estilo de cabelo. Eram, em sua maioria, jovens de minha faixa de idade, usando cabeças raspadas com apenas um tufo de cabelos, como se fosse um rabo-de-cavalo, como fazem as mulheres. Adquiri o livreto e umas varetas cheirosas, chamadas “incensos”.
Assim que pude, sentei-me, em algum lugar e comecei a folhear o pequeno livro. Comecei pela Introdução, escrita por Bob Cohen, datada de agosto de 1974 (mas os primeiros diálogos datam de 1972), uma década antes. Ali ele próprio explicava como fora sua experiência de encontrar o mestre hindu e seus seguidores na Índia. Também, logo de início, apresentava o Mantra Hare Kishna (uma sequência de palavras desconhecidas, escritas como se fosse um poema, que deveria ser recitada ou cantada várias vezes ao dia), como algo que o fazia sentir-se bem e, segundo Prabhupada, era uma via para o êxtase místico, uma espécie de “união com a Divindade Suprema”. Em seguida, vinha uma série de diálogos, que serviam muito bem para apresentar e explicar a filosofia e os fundamentos daquele Movimento. A primeira pergunta era “Que é um cientista?”. E a resposta dada pelo mestre hindu foi “Aquele que conhece as coisas tais como elas são”. Bem, o certo é que me senti levado a devorar aquele livreto sem pausa alguma, pois o debate que surgia a cada nova temática era cativante e atiçava em mim uma curiosidade, cada vez mais crescente, em saber onde tudo aquilo ia dar. O resultado, para Bob Cohen, foi tornar-se discípulo de Srila Prabhupada e, para mim, passar a frequentar o templo Hare Krishna todos os domingos, da tarde até à noite, para, em breve, tornar-me, eu mesmo, um devoto externo (Bhakta).
Eu não conheci pessoalmente aquele que reconheço como meu mestre espiritual (embora não tenha ele me iniciado). Srila Prabhupada desapareceu (como se diz na linguagem dos Hare Krishna) deste mundo no dia 14 de novembro de 1977, uns cinco anos antes de eu ter contato com sua obra espiritual. Mesmo assim, foi ele que, de certa forma, com sua obra, me manteve por quase uma década dentro do Movimento. De frequentador do templo, passei a devoto, tornei-me vegetariano, vendi livretos e incensos nas ruas e nos ônibus de pelo menos três capitais do Brasil. Depois tomei meu próprio rumo, enriquecido com aquelas experiências e com as amizades que fiz, dentro e fora do Movimento Hare Krishna. Eu tinha uma busca maior e não poderia ficar estacionado naquele estágio de conhecimento. Ainda havia muito o que aprender com filósofos, cientistas e livres pensadores de todas as tendências, não somente a religiosa ou espiritual. Tinha de seguir, agora com uma bagagem mais carregada, e dar continuidade à busca pela “minha Verdade”.
Meu Bhagavad-Gita
A obra de Srila Prabhupada, juntamente com as informações colhidas entre os outros devotos, formaram um quadro vivo daquele homem em minha mente, de tal forma que eu posso até dizer que sentia sua presença ao meu lado e, de certa forma, até recorria a ele nos meus momentos de aflição, hesitação e dúvida. Seu exemplo me acalentava e me fazia prosseguir, a despeito das dificuldades pelas quais passei (entre as quais, resistência da minha família católica, distanciamento dos velhos amigos e afastamento deles, tendo que passar algum tempo morando no templo ou fora da minha cidade natal). Ter sido um Hare Krishna foi, sem dúvida, uma experiência ímpar e produtiva em minha vida. Trago comigo, até hoje, os resultados gratificantes dela, e ofereço minhas humildes reverências, em agradecimento, ao meu mestre espiritual.
Abhoy Charanaravinda (nome de batismo de Prabhupada) era um homem espirituoso, de muito bom humor e alto astral sempre, a despeito da sua idade avançada e dos dissabores físicos que ela engendrava. Partiu no dia 13 de agosto de 1965 (uma sexta-feira) de Calcutá, Índia, para Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, abordo do navio Jaladuta, aos 69 anos de idade, com uma passagem gratuita com direito a alimentação e poucas rúpias (moeda indiana) no bolso, numa viagem que duraria até 17 de setembro daquele ano, durante a qual sofreu dois ataques cardíacos e uma série de outros incômodos em sua saúde, mas resistiu e fundou, em território americano o seu Ashram.
Tendo vivido como um Hare Krishna, lendo e ouvindo coisas sobre Prabhupada, fora inevitável não ter nele uma fonte de inspiração para algo que já tinha sua semente dentro em mim, mas que ainda não tinha “um nome”, muito menos “um objetivo” claro. A Terapia Hari, como passei a chamar uma certa prática diária de Filosofia, Psicologia e Orientalismo, brotou de dentro de mim na virada do milênio, pouco depois de eu ingressar na faculdade de Filosofia. Senti a necessidade de sistematizar tudo o que havia aprendido, em leituras ou vivencialmente, todas as experiências e anotações, minhas incursões pela Ordem Rosacruz (anos ’90) e pelo Movimento Hare Krishna (anos ’80).
Em Srila Prabhupada lilamrta, Vol. 2 (Plantando a semente) li e guardei para mim esta frase do mestre: “Onde quer que estivesse, eu pensava: ‘Este é meu lar’”. Passei a reforçar a ideia em mim de que assim deveria pensar todo homem – como um ser cosmopolita, um espécie de homo universalis. Sobre “Deus” (Krishna, para ele), em Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeita, respondendo a uma indagação de Bob Cohen, sobre Deus ser “todo-poderoso”, disse: “Ele tem que ser muito belo, muito sábio, muito poderoso, muito famoso... Ele foi o maior dos patifes também”. Percebi, imediatamente ali, que se tratava de alguém que transmitia conhecimento, autoridade e despertava respeito, pois tinha uma espécie de “intimidade com Deus”, uma falta de respeito (ainda que envolta em plena adoração) para com Krishna, muito parecida com uma relação entre amigos, na qual é comum que um se refira ao outro com palavras depreciativas e de baixo calão, porque podem se tratar assim, porque sentem uma proximidade que os absolve de qualquer calúnia, de qualquer culpa ou má intenção. Prabhupada me mostrou exatamente o contrário do que o cristianismo insiste em pregar: ele me mostrou que não havia necessidade de temer a Deus, e que nossa principal missão na vida era conhecê-Lo, para falar às pessoas do mundo sobre Ele com autoridade, simplicidade e desenvoltura. O mestre dizia: “Particularmente, eu posso ser o maior tolo, mas como estou falando de Krishna, dizendo exatamente o que Ele, o maior cientista, o conhecedor de todas as coisas, disse, então, eu sou o maior cientista!”.
A Terapia Hari pretende fazer com que as pessoas primeiramente se conheçam a si mesmas, que se sintam cidadãs deste lar (o planeta Terra, em particular, e o Universo, como um todo), e, em seguida, descubram se é ou não necessário sair em busca “do outro”, seja ele um cientista, um filósofo, um profeta, um mestre ou um deus. Essa descoberta, na linguagem dos filósofos Aufklärung, na dos cientistas Insight, na dos místicos Iluminação, provavelmente não será o fim de uma existência, nem mesmo o fim de uma busca, pois creio com todo o meu fervor que, a partir daí, haverá tanto desejo em realizar, que todos quanto chegarem a ela perceberão que somente naquele instante começa o tempo que não precisa mais de tempo – a Eternidade.

REFERÊNCIAS: (Obras citadas)
  • Perguntas Perfeitas, Respostas Perfeitas – Diálogos entre Srila Prabhupada e Bob Cohen, um voluntário da paz na Índia (The Bhaktivedanta Book Trust);
  • Srila Prabhupada-lilamrta, Vol. 2 - Plantando a semente (The Bhaktivedanta Book Trust);
  • O Bhagavad-Gita Como Ele é (The Bhaktivedanta Book Trust).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MALES DA ALMA


OS ENGANOS DA PSICOLOGIA E DA RELIGIÃO

Desde a figura mitológica de Psyché, aquela bela jovem por quem se enamorou Eros, até a criação da Psicologia, da Psicanálise e outras psicoterapias, muito tempo se passou. O que nunca passou mesmo, apesar de tantos anos e tantos estudos despendidos, foi a falta de compreensão dessas ciências e terapias, que insistem em “rebaixar” a alma ao condicionamento existencial, sujeitando-a a todo tipo de mazela, sofrimento, dor e vicissitude que o mundo material pode oferecer.

Não é de hoje que a Psicologia chama a angústia, a depressão e o tédio, entre outras enfermidades psíquicas, de “males da alma”. E, nesse viés, profissionais de diferentes áreas da Medicina, sobretudo da área clínica, insistem em propalar essa “ignorância” em seus tratados, discursos, palestras e artigos.

Talvez a culpa não seja totalmente deles nem da própria Psicologia. A Religião, mormente a cristã, dominadora da cultura e das linhas de conhecimento do Ocidente, que deveria saber alguma coisa sobre a alma, insiste em tratá-la, também, como um joguete do mundo e de Deus.

A intenção dessa série de artigos que escreverei aqui não é fazer frente à Psicologia ou ao Cristianismo, como um todo, mas resgatar a concepção original e verdadeira da alma e, consequentemente, retirá-la da condição vilipendiosa, falsa, imprópria, impossível e vulgar em que foi atirada. Essa tarefa não será fácil e, por isso, sei que apenas poucos leitores compreenderão o que direi. Destarte, tratarei dessa “defesa” em capítulos, tentando apresentar bem meus argumentos e esclarecer essa questão, sem deixar dúvidas, não sobre a alma (que é um tema muito complexo), mas sobre o ponto de vista da minha Terapia.

Para tanto, levantarei pontos pertinentes à questão de cunho psicológico, religioso e filosófico, declarações de profissionais dessas áreas, recorrendo, ainda, a textos que tratam da alma tal como ela é e ao próprio sentido primitivo, que, ao que parece, há muito foi esquecido. Claro que eu poderia também iniciar esta série de artigos, dizendo simplesmente: “Tudo bem! Podem continuar a usar o termo “alma” para essa coisa miserável, mesquinha, pequena, frágil, mortal e incurável que vocês tratam aí. Eu, em nome da Terapia Hari e de todo o conhecimento adquirido no arcabouço das várias culturas e civilizações, já me utilizo mesmo do termo “atman”, que nada tem a ver com “essa coisa” de vocês”. Mas não se trata de uma abordagem técnica, explicativa ou pedagógica desse termo, no âmbito restrito da Psicologia, da Filosofia ou da Religião. Trata-se do resgate da verdadeira concepção de alma, para que as pessoas, em qualquer desses âmbitos, tenham o entendimento claro do que cada um deles realmente está falando e não sejam ludibriadas com retóricas acadêmicas, filosóficas ou religiosas.

A psicóloga, Drª. Lílian Graziano, em seu artigo “Psicologia Positiva: A psicologia da felicidade”¹, nos diz: “Para esses autores [os fundadores da Psicologia Positiva, entre os quais, Martin Seligman], a Psicologia nasceu pautada no modelo de doença, e, como tal, desenvolveu seu olhar exclusivamente em direção ao caráter disfuncional do ser humano”. E diz mais: “Isso significa, que na prática, a ciência psicológica raramente consegue ir tão além quanto suas discussões filosóficas poderiam sugerir, quando o assunto é a compreensão da totalidade humana, uma vez que todos os seus esforços têm sido direcionados a apenas um dos lados da moeda”. E, para concluir suas observações, diz ela: “Preocupada apenas em curar doenças, a Psicologia deixou sem respostas aqueles que questionavam sobre ter uma vida feliz, abrindo espaço para que as forças e as virtudes humanas fossem discutidas sem base científica e, por vezes, de maneira hipersimplificada”.

Evidentemente, as palavras da drª. Graziano não pretendem detratar a Psicologia, e muito menos respaldar minha defesa na temática deste artigo, e, sim, valorizar o trabalho da Psicologia Positiva, da qual é membro, como um avanço da ciência psicológica. No entanto, seu discurso serve como aviso às limitações da Psicologia tradicional e seus possíveis enganos e falhas. Um desses, sem dúvida alguma, se dá quando essa ciência impinge à alma os males que são de natureza psicofísicas, ou seja, males existenciais (esfera a que a alma jamais pertenceu, e jamais pertencerá).

Considerando que a Ciência e a Religião são dois baluartes da cultura ocidental e, se estou com a razão, ambas são incapazes de fornecer uma concepção verdadeira de “alma”, indo além, em seus respectivos enganos, ao deturpar o próprio conceito e definição de “alma”, vilipendiando-a com suas respectivas acusações a ela – no caso da Ciência, afirmando que a alma está sujeita a enfermidades; no caso da Religião, pregando que ela pode ser queimada e destruída; parece-me louvável exortar os meus leitores a seguirem o mesmo conselho que o filósofo Sêneca (    ) deu a seus contemporâneos: “Recusem-se a seguir a multidão!”, que neste caso seria: “Descreiam dessas afirmações da Psicologia e do Cristianismo sobre a alma!”, e me ouçam.

A Ciência e a Religião se apropriaram do termo “alma” e, de certa forma, manipularam sua definição ao bel prazer, em favor, evidentemente, dos seus interesses próprios. Para a Psicologia, por exemplo, era necessário trazer a alma para o âmbito físico, para que seus estudos pudessem ser aceitos como “científicos”, e ela se desvencilhasse da Filosofia, sem descambar para uma espécie de “psicometafísica”. Para o cristianismo, a alma não poderia manter sua condição de eterna, pois seria da mesma natureza de Deus, e não haveria como “assombrar” os cristãos com suas visões do Inferno (lugar destinado às almas dos pecadores, segundo a Igreja). A alma que é “alma” mesmo, no entanto, não é manipulável em seus verdadeiros atributos – ela não sofre as aflições físicas nem pode ser queimada no fogo, nem mesmo o do Inferno – nem mesmo pela “vontade de Deus”.

Em meu livro, “O Governante das Estrelas – Da Materialidade do Eterno” (ainda não publicado), explico que o Paramatman (a Alma Suprema) é constituída por partes e parcelas denominadas de “atmans”, as quais são indissociáveis dEle e possuem a mesma “essência” e “atributos”. Isso significa que, se os atmans estivessem sujeitos a mazelas, à ação do fogo e à morte, o Paramatman (Alma Suprema/Ser Supremo, ou “Deus”, se preferirem) também estaria, pois são todos da mesma “natureza”. Lá, também explico que até o Paramatman tem o seu duplo ou dublê. Este é denominado de Hari, o “Jiva Supremo” (Alma Suprema encarnada), cujo corpo é toda a extensão do Universo, constituído de duas Naturezas: a material e a espiritual. São essas “Naturezas” que criam e mantém todos os seres do Universo (isso quer dizer em todos os planetas de todas as galáxias e de todos os recantos imagináveis ou não). No planeta Terra, somente os humanos são “jivas” (alguns só entenderão se eu disser: “Somente os humanos têm alma”, pois muito bem, que seja). Os demais seres, plantas, animais e vegetais, recebem da “Natureza” apenas os veículos necessários à sua “expressão” no mundo/Existência, a saber: um corpo e um espírito. Isso significa que tais seres não possuem uma “essência” no mundo/Eternidade, pois eles “não são atmans”, como nós.

Para que minha exposição fique mais clara, é necessário informar ao meu leitor que, segundo a Terapia Hari, há duas instâncias a serem consideradas, quando tratamos conjuntamente de Alma, Deus e Seres Humanos, a saber: a Existência, que constitui tudo o que é físico, material, elementar, sutil, etéreo, mental, psíquico, fluido, atômico – numa palavra, objeto de estudo e perscrutação do intelecto; e a Eternidade, instância inacessível à perscrutação lógica, que é a totalidade de toda a Existência e ainda mais (sendo esse “mais” o imperscrutável, tal é a sua “essência”) e que é considerado, na T.H., como Paramatman (Alma Suprema), do qual fazem parte todos os atmans (almas individuais). Embora essas explicações ainda não se demonstrem totalmente compreensíveis, ajudarão na compreensão dos meus argumentos, em breve.

É preciso lembrar que muito antes do surgimento da ciência psicológica e ainda antes do próprio cristianismo, a alma já era “perscrutada” em suas possíveis características e atuações. Claro que nunca houve um consenso entre as variadas culturas e povos primitivos. No entanto, algo fundamental participava de todas as noções e conceitos sobre a alma, sempre considerando-a como tendo uma natureza sagrada, divina e transcendental. “Os caracteres fundamentais das religiões professadas pelos povos primitivos são: crença num poder supremo; crença em espíritos independentes; crença na alma humana, distinta do corpo e separando-se do mesmo com a morte”². Para nós da T.H*, a expressão “alma humana” não passa de um reforço de linguagem, pois toda alma só pode ser “humana” (até que tenhamos provas consistentes de vida igual ou superior à nossa, universo afora, que possa comportar também a ideia de existência, a partir desse “elemento vital”).

Para finalizar a primeira parte dessa série de artigos sobre a alma, deixarei esse trecho, encontrado no Bhagavad Gita, que diz: “A alma nunca pode ser cortada em pedaços por nenhuma arma, nem pode ser queimada pelo fogo, nem umedecida pela água, nem seca pelo vento. Esta alma individual é irrompível e insolúvel, e não pode nem ser queimada nem seca. É eterna, todo-penetrante, imutável, imóvel e eternamente a mesma.”

¹ Revista Ciência & Vida Psique, Ed. Especial, Ano III Nº8, Ed. Escala
² História da Educação Universal e Brasileira (Intermedial Editora), autor Nelson Valente 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

EM CONCORDÂNCIA COM NOSSO MOVIMENTO

Vidya Yoga e Terapia Hari
VIDYA YOGA E MOFICUSHINTH



O Vidya Yoga Ashram, uma organização não-governamental de ensino e pesquisa da arte, filosofia e terapia da Índia, foi fundado no Brasil em 1980. Seu patrono é Shri Swami Vyaghrananda Pashupáti Bhagwan.

Em entrevista a Gilberto Schoereder, para a revista Sexto Sentido (Mythos Editora), a suprema presidenta mundial, Kamala Devi, e o vice-presidente, Vyaghra Yogi, falam sobre o Vidya Yoga Ashram, sua postura, crenças e ensinamentos.
Aqui, selecionamos os pontos que encontramos em concordância com as diretrizes e ensinamentos do MOFICUSHINTH, enquanto filosofia e prática.

Os adeptos do Vidya Yoga são pessoas que, unidas em fraternidade e mútua amizade, “buscam em suas meditações e empirismos o conjunto de princípios básicos em que se fundamenta o seu sistema filosófico”, além do que, “declaram-se partidários e colaboradores da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Liberdade para todos os povos”.

ENTREVISTA:
SEXTO SENTIDO: Qual a postura do Vidya Yoga Ashram diante das diferentes práticas de yoga existentes hoje no Brasil e no mundo?

VIDYA YOGA: [...] Acreditamos que a grande maioria utiliza o nome yoga de forma imprópria, pois não sabe o que é. Para nós, yoga é somente 10% físico, pois precisamos manter nosso veículo em ordem: o restante é mental, emocional, espiritual. A busca do desenvolvimento espiritual é individual.
[...] Os Vidya Yogis acreditam que tudo no universo é energia, e que esta energia cósmica é imanente e transcendente a todas as coisas e criaturas. Os seguidores e praticantes [...] são livres-pensadores não vinculados ao conceito ocidental de Deus. [Consideram] Deus como Brahman, Absoluto, Realidade Absoluta, eterna, infinita e universal; como a Causa Primeira de todas as coisas; como Consciência Cósmica, enfim, como a Grande Lei que estabelece e mantém a harmonia dos cosmos e dos universos. [...] acreditam que o universo submete-se a ciclos de criação, preservação, destruição e dissolução intermináveis; acreditam em várias dimensões espirituais, que podem ser chamadas de planos densos, sutis e causais da existência de todos os seres vivos; acreditam que espírito e matéria são dois pólos de uma única força. O purusha (alma) que habita o interior do homem é perfeito, e busca desenvolver a matéria, prakriti, para atingir seus objetivos finais: samádhi, a iluminação da consciência. Acreditam no karma como lei individual de causa e efeito, [...] pela qual cada homem define seu próprio destino pelos seus pensamentos palavras e atitudes.Acreditam no dharma (lei ou dever) individual e coletivo. Acreditam no samskára que é o ciclo de nascimento, vida e morte, também chamado de Roda da Vida (Ayurchakra). Acreditam no ákasha como o registro coletivo de todas as experiências da humanidade; acreditam que o homem reencarnado evolui sua estrutura material de muitos nascimentos e mortes, até todos os seus karmas serem completamente resolvidos; [...] acreditam que os períodos da vida humana para seu amadurecimento natural e equilibrado são desenvolvidos de 7 em 7 anos, começando os ciclos no corpo energético (7 anos), depois no emocional (aos 14), depois no corpo físico (aos 21), depois no corpo mental superior (aos 35), depois no intuicional (aos 42) e finalmente no corpo espiritual (a partir dos 49 anos de idade), até atingir sua emancipação como ser humano (70 anos); [...] acreditam que o homem possui sete invólucros ou veículos, que são: corpo físico (Sthula Sharira); corpo energético (Lingam Sharira); corpo emocional (Kama Sharira); corpo intuicional (Buddhirupa); corpo espiritual (Purusha); [...] acreditam que há infinitos planetas que suportam a vida em todo o cosmos. O planeta Terra é um destes. No sistema solar em que vivemos, este planeta é o mais rico e mais completo, com todos os elementos e suas combinações físio-químicas [...].

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Bem, o que nós deste Movimento podemos acrescentar, como esclarecimento ao que denominamos de “concordância”, é que determinadas nomenclaturas e conceitos, aqui e ali, são um pouco diferentes, entre os deles e os nossos. Porém, isso não chega a ser um fator de discordância, mas, talvez, de interpretação, uma vez que nós também fomos beber nas fontes orientais do Yoga, dos Vedas, dos sábios budistas e hindus, e noutras.
Na verdade, há muito mais em comum do que contrário, além do que o fundamental é divulgar a boa filosofia, de tal forma que ela seja exercida pelo maior número de seres humanos, para que uma consciência mais elevada abarque toda a Humanidade e promova o que todos nós queremos: UM MUNDO MELHOR! 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ética em Movimento


PROF. JAYA E A ÉTICA ARISTOTÉLICA

Depois de emplacar pela segunda vez uma matéria de capa, com o artigo “Immanuel Kant, um divisor de águas”, e trazer novamente à baila o filósofo Friedrich W. Nietzsche, com o belíssimo artigo “O estilo mitopoético da loucura”, o Prof. Jaya está de volta às bancas de revista com um instrutivo texto sobre a Ética em Aristóteles. Trata-se de um artigo bastante apropriado para este momento em que assistimos mais uma vez, infelizmente, o descaso dos políticos com seus eleitores, como ficou claro, neste começo de ano, com um número assustador de prefeituras, que foram entregues aos novos prefeitos totalmente sucateadas, com os caixas no vermelho, e, no caso particular, aqui de São Luís do Maranhão, com um inaceitável desperdício de material escolar, veículos e equipamentos de informática.

Em seu artigo “Longe de Aristóteles, longe do coração”, nosso diretor discorre sobre como Aristóteles pensava a ética – não como uma virtude ou um comportamento próprio apenas de homens da política, mas necessário também a todo homem comum, todo cidadão, todo membro de uma sociedade. Aristóteles defendia uma postura ética prática, ou seja, em exercício, e não com meras palavras bonitas, promessas que não se cumprem e que só fomentam a política demagógica de muitos homens que se lançam aos cargos públicos.

O professor lembra que, para Aristóteles, o viver ético é o viver para o bem. Diz o texto: “Não um bem particular e interesseiro, mas um bem coletivo e comum”. A intenção do nosso diretor é despertar nos leitores uma vontade de não se submeter, não admitir que “tudo vai ser sempre assim”, que “a política será sempre essa demagogia e essa corrupção sistêmica”. Ele deseja despertar nos seus leitores um desejo latente em seus corações de serem homens dignos, justos e o mais felizes possível. Por isso cita Aristóteles, dizendo: “Realizando ações justas, tornamo-nos justos; ações moderadas, moderados; ações corajosas, corajosos”.

O trabalho do Prof. Jaya, seja enquanto articulista em revistas de Filosofia de alcance nacional, seja como educador nos limites da sala de aula, é sempre pautado no mesmo compromisso com o qual se dedica à frente deste Movimento, que é o de levar às pessoas um conhecimento, uma educação que as faça desejar uma melhor qualidade de vida, que as faça buscar a compreensão de suas verdadeiras identidades na existência e fora dela. Parece necessário reaprender a ser “um ser humano”, e essa é a sua incansável missão, enquanto filósofo e educador.


Percebe-se claramente a filosofia prática, ou seja, a Terapia Hari, nos escritos do professor, sempre como um pano de fundo, uma sutil nuance ou quase uma insinuação de si mesma. Por isso, tanto a T.H* quanto o MOFICUSHINTH* estão sempre presentes em cada artigo publicado pelo nosso fundador. Não apenas nos créditos expostos no rodapé da última página, mas em toda a sequência de ideias e de ensinamentos, seus ou dos autores de que trata, nos trabalhos que publica.

Mais uma vez, estamos agradecidos e felizes com mais essa realização, e parabenizamos o nosso diretor por mais esse belo trabalho.